terça-feira, 1 de setembro de 2009

MORDIDAS SIGINIFICAM AGRESSIVIDADE OU APRENDIZAGEM?

Mordidas costumam causar desentendimentos nas escolas, pois ninguém gosta que seu filho seja mordido. Os pais da “vítima”, ás vezes, sentem-se culpados por deixarem seu filho correr riscos num ambiente com tantas crianças. Já os pais da criança que mordeu, quase sempre, ficam envergonhados com o fato.
O primeiro contato da criança com o mundo é pela boca, ao colocar um objeto na boca, está experimentando este objeto; está aumentando seu conhecimento sobre as coisas que a rodeiam. A boca se configura como grande fonte de descobertas. Chupar, morder, sugar, degustar, emitir sons, inspirar e expirar são ações que dão prazer e também por onde pode relacionar-se com o mundo externo.
Os dentes estão despontando na gengiva coçam e afligem a criança nesta fase. Outro fato a se considerar é que as crianças até 3 anos frustram-se com facilidade e têm pouco controle sobre seus impulsos.
Para as crianças desta faixa etária, compartilhar ainda é difícil, já que o outro não é percebido como diferente delas próprias. O outro só existe em função do seu desejo. Na hora da disputa por algum objeto ou pela companhia e atenção de alguém, aparece o conflito seguido da sensação de perda. O desconforto deste sentimento é algo que ainda não pode ser compreendido e, na ânsia de livrar-se dessa situação, agem rapidamente usando seu corpo. O corpo é aquilo que lhes é conhecido, sobre o que têm algum controle e a boca, o foco de sua expressão. Num instante, acontece uma mordida.
Mais raramente, pode ocorrer de alguma criança ficar muito cansada ou com sono, também diante deste desconforto, irritar-se e morder.
A partir das experiências com os adultos e objetos, cada criança vai construindo uma maneira particular de reagir, pois determinado gesto pode produzir reações diferentes em diferentes crianças. Isso é válido para o toque, a tolerância à frustração, os sentimentos de ciúme, a busca de atenção ou a procura de exclusividade.
Em situações em que sente contrariada ou nas disputas dos objetos, algumas crianças reagem de forma explosiva, mordendo, enquanto outras choram , na expectativa de que o adulto a ajude. Muito comum é acontecer uma mordida quando uma nova criança entra no grupo. Pode ser que uma das crianças fique insegura ou com ciúmes da novata. Sem poder compreender direito, sem ter como organizar suas emoções, ela pode descarregar sua ansiedade na forma de mordida.
Quando começam a despertar para o fato de que existem outras crianças, quando vão se conhecendo melhor e criando vínculos,aparece um misto de união e empurrão, beijos e abraços apertados com mordida e beliscões. Não podemos esquecer que muitos pais dão pequenas mordidas nos filhos como forma de carinho.
A reação do outro é também algo que estão explorando e experimentando. Muitas vezes são surpreendidos por esta reação por não terem a real dimensão da dor provocada. É comum ficarem assustados e chorarem também, junto com o outro.
Na maioria dos casos não há intenção ao morder,ou seja, a criança não planejou a ação. A mordida pode ter saído de uma abraço apertado ou como forma de aliviar um desconforto do momento. Como nesta faixa etária ainda não conseguem dosar sua força ou até seus impulsos, às vezes podem assustar os adultos.
A mordida pode ser entendida também como uma expressão da combatividade da criança. Combater para conseguir o que quer, usar uma força interna para conseguir algo por conta própria, faz parte do desenvolvimento infantil. Com essa compreensão cabe ao adulto mostrar as formas socialmente aceitas como alternativa para esta manifestação, em especial, através da linguagem verbal.

O QUE SE DEVE FAZER DIANTE DESSA SITUAÇÃO??

Incentivar o uso da palavra para negociações ou para expressão de sentimentos nestas ocasiões de conflitos é dar instrumentos, ajudá-la a despertar para a fase seguinte no que se refere ao controle das emoções e do desenvolvimento da fala.
Precisamos deixar claro para aquelas que mordem que esse seu ato não é positivo, que enquanto adultos não podemos permitir que elas machuquem outras crianças. Quando for necessária uma colocação mais firme, devemos verbalizar que lutar pelo que se quer não é errado, e sim a forma como foi feito.
Na ocorrência da mordida, o melhor é tratar o fato com tranqüilidade. É importante esclarecer, para a criança, a dor que se sente, como também ajudá-la a encontrar outras formas de se comunicar, mostrar possibilidades de expressar, através da fala e dos gestos, suas emoções. Porém, não se deve supervalorizar a agressão, pois as crianças ainda não conseguem entender que estão machucando.
É preciso compreender que esta é uma fase do desenvolvimento da criança. Praticamente todas as crianças, entre um e três anos, em algum momento, usaram ou usarão tal conduta. Esse recurso praticamente desaparece quando a linguagem estiver mais desenvolvida.

Daiana Dors – Psicóloga Estação Criança
CRP 07/13143
PERÍODO PRÉ-ESCOLAR – 2 ANOS E MEIO A 6 ANOS


Este período se caracteriza por um crescimento físico e emocional acentuado. Entre 2 e 3 anos, as crianças alcançam metade da altura que terão quando adultas. Os vinte dentes-de-leite já estão em seus lugares no começo deste estágio e, no final, começam a cair. As crianças estão prontas para entrarem na escola no final deste estágio, aos 5 e 6 anos, já dominaram as tarefas de socialização primária – a controlarem os esfíncteres, a se vestirem e alimentarem e a controlarem suas lágrimas e ataques de raiva, pelo menos, na maior parte do tempo.

Desenvolvimento Cognitivo e da Linguagem: a linguagem se expande e a criança faz uso de frases. Para Piaget, esta é a fase pré-operatória ( mais especificamente dos 2 a 7 anos), durante a qual as crianças começam a pensar simbolicamente. Geralmente, entretanto, este pensamento é egocêntrico, como no período sensório-motor; a criança não consegue colocar-se no lugar do outro, sendo incapaz de sentir empatia. O pensamento pré-operatório também é intuitivo e pré-lógico; neste estágio, não entendem as relações de causa e efeito.

Comportamento Emocional e Social: no início do período pré-escolar, as crianças são capazes de expressar afetos complexos, como amor, infelicidade, ciúme e inveja, nos níveis tanto não-verbal quanto verbal. A capacidade da criança para cooperação e compartilhamento começa a surgir. A ansiedade está relacionada à perda de ente querido de quem depende, e à perda da aprovação e aceitação.
Aos 4 anos, as crianças aprendem a compartilhar e a se preocuparem com os demais, sendo que sentimentos de ternura, às vezes, são expressos.
Ao final do período pré-escolar, as crianças têm muitas emoções relativamente estáveis. Expansividade, curiosidade, orgulho e excitação alegre relacionada a si mesmo e à família são equilibrados por timidez, reserva, temor, ciúme e inveja. Vergonha e humilhação são evidentes; sentimentos de culpa são possíveis.
As crianças entre 3 e 6 anos têm muita consciência acerca da genitália e das diferenças entre os sexos. Em suas brincadeiras, como nas de médico e enfermeira, as crianças atuam suas fantasias sexuais. A consciência sobre seus corpos estende-se além dos genitais.
É a época do Complexo de Édipo, quando as crianças têm impulsos sexuais com relação ao pai do sexo oposto, e desejam eliminar o pai do mesmo sexo, esperando punição por tais desejos. A punição esperada pelos meninos é a castração. A ansiedade de castração leva o menino a desistir da mãe como objeto sexual, a reprimir seus impulsos em relação a ela e a identificar-se com o pai, formando, no processo, um superego. O complexo de Electra sustenta que a garota deseja ter o amor exclusivo de seu pai e substituir a mãe; a filha resolve este conflito identificando-se com sua mãe. A falta do pênis é considerada como evidência da castração. Freud acreditava que a menina desenvolveria a inveja do pênis como resultado disso, e desejaria possuir seu pai, a fim de obter seu pênis. O desejo das meninas, de se casarem com seus pais e terem um bebê, portanto, representaria o desejo de terem um pênis.
Ao final deste estágio, a consciência da criança está formada. O desenvolvimento da consciência dá o tom para o senso moral de certo e errado da criança. Piaget propôs estágios do desenvolvimento moral paralelos aos estágios cognitivos. No estágio pré-operatório, as crianças vivenciam as regras como sendo absolutas e de modo independente. As crianças não compreendem que possa haver mais de uma perspectiva para uma questão moral; uma violação das regras exige uma retribuição absoluta – ou seja, a criança tem uma noção de justiça imanente.

Jogos: nos anos pré-escolares, a criança começa a diferenciar a realidade da fantasia, e os jogos refletem esta crescente conscientização. Os jogos de “faz-de-conta” são populares e ajudam a testar as situações da vida real de um modo divertido. São comuns os jogos dramáticos nos quais a criança encena um papel, como de dona-de-casa, motorista e professora... Os relacionamentos em brincadeiras de um para com o outro companheiro progridem para padrões mais complicados com rivalidades, segredos e intrigas de dois-contra-um.
Entre os 3 e 6 anos, o crescimento pode ser acompanhado através de desenhos. O primeiro desenho de figura humana consiste de uma linha circular com traços para a boca, nariz e olhos; as orelhas e os cabelos são acrescentados mais tarde; a seguir, aparecem os braços e dedos finos como varetas; depois, vêm as pernas. A última coisa a aparecer é um tronco proporcional ao resto do corpo. A criança inteligente é capaz de lidar com maiores detalhes. Os desenhos expressam a criatividade ao longo do desenvolvimento infantil.

Amigos Imaginários: os amigos imaginários aparecem, principalmente, durante os anos pré-escolares, geralmente, na forma de pessoas. Eles também podem ser coisas, como brinquedos, que são antropomorfizados. A sua importância não está clara, mas estes companheiros são, geralmente, afetuosos, aliviam a solidão e diminuem a ansiedade na criança.
MARCOS DO DESENVOLVIMENTO COMPORTAMENTAL NORMAL

15 MESES: caminha de forma coordenada, raramente caindo; constrói torres de 3 ou 4 cubos; rabisca espontaneamente e imita traços da escrita; come sozinho, derrama no chão, puxa brinquedos por um cordão, leva ou abraça um brinquedo especial, tal como uma boneca.

2 ANOS: corre bem, sem cair; chuta bola grande; sobe e desce escadas sozinho; habilidades motoras finas aperfeiçoam-se; constrói torres de 6 ou 7 cubos; alinha cubos, imitando um trenzinho; imita linhas de escrita, verticais e circulares; desenvolve comportamentos originais; veste roupas simples sozinho, mímica doméstica, refere-se a si mesmo pelo nome, diz não à mãe, ansiedade de separação começa a diminuir, demonstrações organizadas de amor e de protesto, brincadeiras de paralelas ( brinca lado a lado com outras crianças,mas não interage com elas).

3 ANOS: anda em triciclo, pula de degraus inferiores, alterna os pés ao subir escadas; constrói torres de 9 ou 10 cubos, copia um círculo ou uma cruz; calça os próprios sapatos, desabotoa botões, alimenta-se bem sozinho e compreende a noção de revezamento.

4 ANOS: desce escadas com os pés alternados, fica em um pé por 4 a 8 segundos; copia uma cruz, repete quatro dígitos, conta 3 objetos, apontando corretamente; lava e enxuga o próprio rosto, escova os dentes e brinca cooperativamente com outras crianças.

5 ANOS: salta alternando os pés, geralmente possui completo controle esfincteriano e a coordenação motora fina melhora; copia um quadrado, desenha um homem reconhecível como tal,com cabeça, conta dez objetos acuradamente; veste-se e se despe sozinho, traça umas poucas letras e pratica jogos competitivos.

6 ANOS: anda de bicicleta de duas rodas; escreve o nome em letra de imprensa, copia triângulo e amarra laços em sapatos.


PERÍODO DE LOCOMOÇÃO – 2 ANOS


Desenvolvimento cognitivo e da linguagem: a aprendizagem da linguagem é uma tarefa crucial no período de locomoção. As vocalizações tornam-se distintas e o bebê passa a ter a capacidade de nomear alguns objetos e falar de suas necessidades em uma ou duas palavras. No início do terceiro ano, as crianças usam frases curtas, começar a raciocinar e a ouvir explicações que podem ajudá-las a tolerar atrasos.
De acordo com Piaget, a período de locomoção ocorre durante o estágio sensório-motor do desenvolvimento cognitivo. Aos 2 anos, a criança começa a fazer representações simbólicas dos eventos.

Desenvolvimento Emocional e Social: no segundo ano de vida os afetos de prazer e desprazer diferenciam-se ainda mais. Podemos observar explorações excitadas, prazer gratificante, prazer pela descoberta e desenvolvimentos de novos comportamentos, incluindo provocar e surpreender ou “enganar” pai ou mãe (por ex. escondendo-se). Existe a capacidade de dar demonstrações de amor (por ex. correr e abraçar, sorrir e beijar pai e mãe) e protesto ( virar as costas, chorar, bater, morder, gritar e chutar). O conforto com a família e a apreensão com estranhos podem aumentar.
Durante o segundo e terceiro anos de vida, as crianças adquirem autonomia. Seu desafio consiste em se tornar seres separados e individuais. Elas aprendem a caminhar e a comer sozinhas, a controlar o esfíncter anal e a falar. O termo “terríveis dois anos” reflete a vontade resoluta das crianças neste estágio do desenvolvimento.
Freud descreveu esse período como o estágio anal do desenvolvimento, em que a criança retém ou libera as fezes. Um treinamento esfincteriano muito rigoroso pode resultar uma personalidade excessivamente compulsiva, que é organizada, meticulosa e egoísta. Freud referiu-se a esse tipo de personalidade como caráter anal, marcado por parcimônia, pontualidade e perfeccionismo.

Desenvolvimento Sexual: os prenúncios da diferenciação sexual se manifestam desde o nascimento, quando os pais começam a vestir e a tratar seus bebês diferentemente, devido à expectativa gerada pelo sexo do filho. Através da imitação, recompensa e coerção, a criança assume os comportamentos que a cultura define como sendo apropriado para seu papel sexual. A criança exibe curiosidade acerca do sexo anatômico e, se esta curiosidade for reconhecida como saudável e encarada com respostas honestas e adequadas à idade, a criança adquire um senso de maravilha da vida e sente-se à vontade com seu próprio papel dentro desta. Por volta dos dois anos e meio, a criança desenvolve um senso de identidade de gênero, isto é, menino ou menina. Geralmente as brincadeiras são determinadas por gênero: os meninos brincam com carrinhos, e as meninas de casinha.
O controle urinário diurno geralmente está completo por volta dos 4 anos, bem como o controle intestinal.
As crianças na fase de locomoção podem ter dificuldades relacionadas ao medo do escuro, que podem ser manejadas com uso de luz suave à noite. Em geral dormem cerca de 12 horas, incluindo um cochilo de 2 horas. Os pais devem saber que as crianças dessa idade podem precisar de companhia ao se deitarem e que, aos 2 anos, habitualmente levam 30 minutos para adormecerem.


PERÍODO PRÉ-ESCOLAR – 2 ANOS E MEIO A 6 ANOS


Este período se caracteriza por um crescimento físico e emocional acentuado. Entre 2 e 3 anos, as crianças alcançam metade da altura que terão quando adultas. Os vinte dentes-de-leite já estão em seus lugares no começo deste estágio e, no final, começam a cair. As crianças estão prontas para entrarem na escola no final deste estágio, aos 5 e 6 anos, já dominaram as tarefas de socialização primária – a controlarem os esfíncteres, a se vestirem e alimentarem e a controlarem suas lágrimas e ataques de raiva, pelo menos, na maior parte do tempo.

Desenvolvimento Cognitivo e da Linguagem: a linguagem se expande e a criança faz uso de frases. Para Piaget, esta é a fase pré-operatória ( mais especificamente dos 2 a 7 anos), durante a qual as crianças começam a pensar simbolicamente. Geralmente, entretanto, este pensamento é egocêntrico, como no período sensório-motor; a criança não consegue colocar-se no lugar do outro, sendo incapaz de sentir empatia. O pensamento pré-operatório também é intuitivo e pré-lógico; neste estágio, não entendem as relações de causa e efeito.

Comportamento Emocional e Social: no início do período pré-escolar, as crianças são capazes de expressar afetos complexos, como amor, infelicidade, ciúme e inveja, nos níveis tanto não-verbal quanto verbal. A capacidade da criança para cooperação e compartilhamento começa a surgir. A ansiedade está relacionada à perda de ente querido de quem depende, e à perda da aprovação e aceitação.
Aos 4 anos, as crianças aprendem a compartilhar e a se preocuparem com os demais, sendo que sentimentos de ternura, às vezes, são expressos.
Ao final do período pré-escolar, as crianças têm muitas emoções relativamente estáveis. Expansividade, curiosidade, orgulho e excitação alegre relacionada a si mesmo e à família são equilibrados por timidez, reserva, temor, ciúme e inveja. Vergonha e humilhação são evidentes; sentimentos de culpa são possíveis.
As crianças entre 3 e 6 anos têm muita consciência acerca da genitália e das diferenças entre os sexos. Em suas brincadeiras, como nas de médico e enfermeira, as crianças atuam suas fantasias sexuais. A consciência sobre seus corpos estende-se além dos genitais.
É a época do Complexo de Édipo, quando as crianças têm impulsos sexuais com relação ao pai do sexo oposto, e desejam eliminar o pai do mesmo sexo, esperando punição por tais desejos. A punição esperada pelos meninos é a castração. A ansiedade de castração leva o menino a desistir da mãe como objeto sexual, a reprimir seus impulsos em relação a ela e a identificar-se com o pai, formando, no processo, um superego. O complexo de Electra sustenta que a garota deseja ter o amor exclusivo de seu pai e substituir a mãe; a filha resolve este conflito identificando-se com sua mãe. A falta do pênis é considerada como evidência da castração. Freud acreditava que a menina desenvolveria a inveja do pênis como resultado disso, e desejaria possuir seu pai, a fim de obter seu pênis. O desejo das meninas, de se casarem com seus pais e terem um bebê, portanto, representaria o desejo de terem um pênis.
Ao final deste estágio, a consciência da criança está formada. O desenvolvimento da consciência dá o tom para o senso moral de certo e errado da criança. Piaget propôs estágios do desenvolvimento moral paralelos aos estágios cognitivos. No estágio pré-operatório, as crianças vivenciam as regras como sendo absolutas e de modo independente. As crianças não compreendem que possa haver mais de uma perspectiva para uma questão moral; uma violação das regras exige uma retribuição absoluta – ou seja, a criança tem uma noção de : justiça imanente.

Jogos: nos anos pré-escolares, a criança começa a diferenciar a realidade da fantasia, e os jogos refletem esta crescente conscientização. Os jogos de “faz-de-conta” são populares e ajudam a testar as situações da vida real de um modo divertido. São comuns os jogos dramáticos nos quais a criança encena um papel, como de dona-de-casa, motorista e professora... Os relacionamentos em brincadeiras de um para com o outro companheiro progridem para padrões mais complicados com rivalidades, segredos e intrigas de dois-contra-um.
Entre os 3 e 6 anos, o crescimento pode ser acompanhado através de desenhos. O primeiro desenho de figura humana consiste de uma linha circular com traços para a boca, nariz e olhos; as orelhas e os cabelos são acrescentados mais tarde; a seguir, aparecem os braços e dedos finos como varetas; depois, vêm as pernas. A última coisa a aparecer é um tronco proporcional ao resto do corpo. A criança inteligente é capaz de lidar com maiores detalhes. Os desenhos expressam a criatividade ao longo do desenvolvimento infantil.

Amigos Imaginários: os amigos imaginários aparecem, principalmente, durante os anos pré-escolares, geralmente, na forma de pessoas. Eles também podem ser coisas, como brinquedos, que são antropomorfizados. A sua importância não está clara, mas estes companheiros são, geralmente, afetuosos, aliviam a solidão e diminuem a ansiedade na criança.

KAPLAN, H.; SADOCK, B.; GREBB, J.. Compêndio de Psiquiatria: Ciências do Comportamento e Psiquiatria Clínica. 7 ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.


Mamãe e Papai
Minha professora estudou muito e aprendeu a compreender crianças pequenas, ela sabe que temos possibilidades, limitações, problemas e interesses. Ela é professora dos pequenos porque tem paciência, amor e muita compreensão, para conosco.
Nossa professora estudou muito e recebeu o preparo adequado para observar a estabilidade emocional dos pequenos e dirá tudo o que observar sobre o meu desenvolvimento físico e emocional.
Evitem falar coisas desagradáveis sobre escola e a professora perto de mim, falem deste meu novo mundo como um lugar bonito e alegre no qual sou bem recebido.
Prestem muita atenção ao meu horári.
Não me deixem ficar esperando após o horário, pois posso ficar triste ao ver os coleguinhas indo embora e também posso chorar pensando que me esqueceram, pois ainda não tenho noção de tempo.
Nunca digam: ” Como você está sujo(a)!” Pois eu vim para escola para aprender muitas coisas, entre ela brincar e me divertir.
Compreendam esse (a) baixinho (a) e fiquem alegres quando encontrarem-me sujinho(a): è sinal que brinquei bastante.
E vocês não podem esquecer o mais importante: Sou criança! Não tentem acelerar ou forçar nada, serei criança uma só vez.
Agradeço por vocês entenderem as coisas desta maneira.
E agradeço a Deus de estar aqui, convivendo com novas pessoas, dando e recebendo carinho.


Papai e mamãe...

Estou começando uma nova fase na minha vida.
Parece que as coisas vão ser diferentes de como eu estava habituado (a), por isso vou precisar da ajuda de vocês.
Terei agora novos amiguinhos, uma professora que vai ficar comigo e acompanhar o meu desenvolvimento. Terei também outra casa onde continuarei a experimentar, vivenciar e desenvolver novas atividades.
Entrar na escola significa um crescimento e por isso envolve um pouco de ansiedade, mas para que eu consiga crescer nesta nova fase e este mundo diferente possa realmente ser bom e a minha adaptação ocorra de forma mais tranqüila vou fazer alguns pedidos:
Peço que sintam segurança ao me deixarem na escola e não demonstrem ansiedade se eu demorar um pouco a aceitar a separação.
Conversem comigo sobre a escola: porque devo ir? O que vou fazer lá? Porém converse naturalmente sem exageros, pois posso ficar ansioso demais, o que pode prejudicar.
Talvez eu queira trazer algo meu de casa ou vice-versa, isto será importante para que eu possa sentir que a escola é uma continuidade do lar..
Não façam da escola um castigo.
Nos primeiros dias venham me buscar mais cedo, conforme combinado com a professora.
Talvez eu não chore nos primeiros dias, pois tudo é novidade. Mas se algum dia depois eu chorar, procurem conversar comigo e com minha professora, juntos encontraremos a melhor solução.
Ah! Nada de sentimentos de culpa, medos ou angústias, sei que vocês me amam e virão me buscar.

COM CARINHO...SEU(A) FILHO(A)



As Reações Infantis na Adaptação

Ir para a escola de ensino infantil faz com que as crianças tenham que ficar longe dos pais e da família e isso pode ser um processo leve ou pesado para a criança e para os pais, não só quando as crianças entram na escola pela primeira vez, mas também a cada passagem de ano, de uma turma para outra.
O que é certo neste momento de adaptação, é que as crianças estavam acostumadas a ficar em casa perto das pessoas que amam e que são muito importantes na vida delas (no caso das crianças que estão entrando na escola pela primeira vez), ou estavam curtindo as férias junto dos pais com lazeres e atividades prazerosas (no caso de quem já freqüentava a escola) e de repente têm de aceitar uma realidade bem diferente; ficar um determinado período do dia num outro ambiente, com outras pessoas (profissionais da escola e colegas), com outras normas, regras, rotinas e disciplinas.
Em casa, podiam fazer certas coisas gostosas, como assistir filminhos a hora que quisessem, ficar de pijamas, comer algumas guloseimas, brincar no pátio, brincar com o cachorrinho etc. e neste momento não poderão mais realizar suas vontades na escola e muito menos ficar perto dos familiares mais queridos.
Todas as questões mencionadas acima mexem com as crianças; algumas aceitam rapidamente e outras não. O importante é lembrarmos que cada criança lida de maneira diferente com isto, ou seja de acordo com sua maneira de ser. Alguns choram nos primeiros dias e depois ficam bem, outros ficam doentinhos (fazem febre, diarréia, provocam vômitos, etc.) outros ficam mais agressivos (batem, empurram, chutam, mordem...). Todas as reações são formas que as crianças utiliza para tentar não passar por isso, para tentar convencer a família a voltar ao ritmo de antes.
Em nossa prática na Educação Infantil, já nos deparamos com as mais diversas reações das crianças: mentir, falar mal da professora, inventar coisas negativas sobre o lanche, não querer lanchar para comer com os pais em casa, ficar agressiva com a pessoa que a deixa na escola (como se estivesse de mau), levar coisas da escola ou dos colegas para casa, gritar sem parar, não querer falar sobre a escola nos primeiros dias, chorar quando os pais a buscam etc.as crianças usam estas táticas para mostrar que não estão conseguindo aceitar a frustração: de ficar longe da família, de ter que aprender a conviver com pessoas diferentes e estranhas para ela, de entender que precisará respeitar normas e rotinas, de aprender a dividir a atenção da professora com o colega, ou de dividir objetos e materiais com os colegas, entre outras questões.
Para facilitar este processo para a criança, o primeiro ponto fundamental é os pais terem consciência de que as reações são formas que as crianças apresentam ( as mais diversas) e têm a ver com dificuldades da própria criança em aceitar frustrações, em aceitar perder as coisas. O segundo ponto importante é os pais perceberem que cada criança tem um ritmo diferente para entender a tal frustração que pode variar de um dia a alguns meses ou até anos (várias crianças que observo passam por dificuldades na adaptação em cada troca de turma)
A postura que os pais vão ter frente a adaptação do filho faz toda a diferença. Pais inseguros, cheios de dúvidas, ou até mesmo os que choram diante da adaptação, obviamente passam suas ansiedades para a criança, o que atrasa o processo de adaptação. Alguns pais se assustam com as reações que o filho (a) faz e não entendem que elas fazem parte deste processo natural e acabam deixando a criança mais nervosa. Já nos deparamos com pais que tiram a criança da escola por não agüentarem ver certos comportamentos. Infelizmente, pais que optam por desistir da permanência do filho na escola provocam uma conseqüência que pode ser negativa: o filho saberá que sempre que tiver determinada reação, os pais vão ceder e agradá-lo e também a criança não estará aprendendo enfrentar perdas e lidar com frustrações.
Sendo assim, o trabalho mais árduo na adaptação é da família/ dos pais.
Se houver qualquer sinal de ansiedade, acabam questionando demais sobre a escola, o que a professora fez, o relacionamento com os coleguinhas, ou seja, acabam cobrando exageradamente a atitude da criança na escola e também da escola com a criança, interferindo muitas vezes de uma maneira negativa na rotina da escola. Criam situações de dependência com o filho: ficam espiando na janela da sala de aula; levam a criança no colo até a sala; carregam sua mochila; tentam ficar na escola por várias semanas. O que os pais não sabem, é que quando viram as costas, seus filhos ficam mais calmos e se divertem com os novos amiguinhos e com os novos brinquedos. Para algumas crianças isso demora um pouquinho mais para acontecer, devido a ansiedade dos pais, mas sempre acabam relaxando em determinado ponto do processo e ficam muito bem.
O que os pais mais comentam conosco, nesta fase da adaptação, é que não gostam e não admitem que seus filhos sejam mordidos, empurrados, ou sejam agredidos por outras crianças. Minhas orientações são sempre no sentido de entenderem um pouco mais, que essas outras crianças podem estar passando por situações familiares difíceis e mudanças que deixaram-nas mais agressivas. Os pais não têm informação de que atitudes agressivas fazem parte da infância; a agressividade é a maneira mais natural que utilizam para se defender, afirmar opiniões e conquistar espaços.
Por isso, os profissionais da Escola Estação Criança são orientados pela coordenação e pelo setor de psicologia para ocuparem as crianças durante as adaptações com técnicas e atividades prazerosas, criativas, diferentes e atraentes para que a criança se esqueça um pouco de casa e passe a prestar atenção na escola. Também são orientados a fazer todas essas brincadeiras para que comportamentos agressivos se amenizem, pois a criança ocupada foca mais tempo de sua atenção no que está fazendo (pintura, desenho, ouvindo histórias, brincando, etc. O que não quer dizer que tais comportamentos serão eliminados. Isso só acontecerá quando a criança aprender que existem outras maneiras de delimitar espaços, afirmar opiniões e quando conseguir de fato aceitar as perdas e lidar com as frustrações/ quando isto estiver resolvido dentro dela. E por mais que os profissionais da escola sejam totalmente qualificados, sempre surgem mordidas e machucados, pois às vezes, quando o profissional vira a cabeça para o lado, pode acontecer algum episódio.
Com tudo isso, concluo que a escola de educação infantil, constrói adultos melhores: se desde pequena a criança aprender a lidar com o sofrimento das perdas, na sua vida adulta também vai saber lidar as frustrações do cotidiano, como, por exemplo, perder empregos, perder bens materiais, terminar relacionamentos, etc. simplesmente não vai se desesperar, fazer greves de fome, tentar acabar com a sua vida, criar depressões. O adulto vai conseguir ter calma e tranqüilidade para aceitar melhor suas perdas e buscar novas soluções.



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Alessandra Fogaça Martins
Pedagoga Responsável
A sabedoria não se encontra no topo de nenhuma montanha nem no último ano de um curso superior. É num pequeno monte de areia do recreio do jardim de infância que se pode aprender tudo o que é necessário saber na vida:
Partilhar.
Respeitar as regras do jogo.
Não bater em ninguém.
Guardar as coisas no sítio onde estavam.
Manter tudo sempre limpo.
Não mexer nas coisas dos outros.
Pedir desculpa quando se magoa alguém.
Viver uma vida equilibrada: estudar, pensar, desenhar, pintar, cantar, dançar, brincar, trabalhar, fazer de tudo um pouco, todos os dias.
Afinal, o segredo duma vida feliz está nas pequenas verdades do dia-a-dia."
Robert Fulghum