quarta-feira, 9 de setembro de 2009
LIVROS DESDE O BERÇO
Eixo da Transmissão Cultural *
O desenvolvimento da alta tecnologia dominou esse final de milênio e penetrou nos lares e na vida da criança de uma maneira muito precoce. Veio a televisão, vieram os computadores, os jogos de vídeo-games e nesse mundo informatizado, o tempo do “Era uma vez, um rei e uma rainha, num país distante...” se perdeu.
Assim, há muito e muito tempo, num país distante, do outro lado do Atlântico, na cidade luz, Paris... três psicanalistas, René DIATKINE, Tony LAINÉ e Marie BONNAFÉ atendiam adolescentes que apresentavam diversas dificuldades particularmente escolares, com um histórico de repetência significativo, muitos com fobia escolar e já no limite da marginalidade. Esses psicanalistas começaram a se questionar e constataram que, o ponto em comum entre os adolescentes era a ausência total do livro em suas vidas. Alarmados com esse quadro e o número crescente de crianças que não se alfabetizavam no final do primeiro ano, esses profissionais se perguntavam sobre um possível trabalho de prevenção.
A resposta a esse questionamento veio em 1979, num colóquio realizado em Paris, sobre as dificuldades da linguagem escrita. Emília FERREIRO apresentou sua pesquisa comparativa, sobre a curiosidade da criança diante das histórias e da escrita. Constatou que toda criança, independente de sua classe social, se interessa espontaneamente pelos livros. No entanto, a partir dos quatro anos, o meio exerce influência significativa, o que diferencia os grupos.
As conclusões de Emilia FERREIRO encorajaram René DIATKINE e seus colaboradores, a criarem, em 1980, a Associação “Actions Culturelles contre les Exclusions et les Ségrégations – A.C.C.E.S.“, cujo objetivo é desenvolver uma atividade cultural precoce e justificou intervenções que constituem um aporte, tanto para as crianças de meios desfavorecidos quanto para as outras. Um dos objetivos da ACCES é a prevenção da repetência escolar, colocando a criança, o mais cedo possível, em contato com os livros e a linguagem da narrativa. Tem como hipótese, que a criança que vivenciou, desde os primeiros meses de vida, um tempo lúdico com as histórias, conservará o interesse pelas mesmas e estará em melhores condições para as aprendizagens da escrita e da leitura. Esta hipótese foi confirmada ao longo dos anos de pesquisa.
Assim sendo, desde 1983, enquanto colaboradora da Associação ACCES, desenvolvi um trabalho que consiste em apresentar às crianças, desde bebês, livros de literatura, comportando ilustrações e textos de qualidade estética, nos mais diversos lugares do cotidiano.
Para várias crianças, a escola é o único lugar onde elas podem ter um contato com os livros, que muitas vezes estão associados a uma exigência escolar, podendo tornar-se objeto de avaliações. A vertente da aprendizagem é importante, mas para desenvolvermos o gosto pelos textos literários, é fundamental criar-se ações culturais livres e prazerosas, de leitura de histórias, contos e poesias, nos momentos transitórios ou ociosos, para conseguirmos quebrar este vínculo. Este espaço lúdico pode e deve ser desenvolvido também nas escolas. Esta familiarização com a escrita nos locais de coletividade, ameniza os efeitos da ausência dos livros nas famílias.
O fracasso escolar e a marginalização social resultantes não são fatalidades do destino ou anomalias genéticas, mas sim um produto de carências tanto quantitativa quanto qualitativa das expressões da linguagem que cercam as crianças durante seus primeiros anos de vida.
A linguagem Factual, da ação, do cotidiano, acompanha os fatos e gestos da vida, é um comentário contínuo sem começo nem fim, que necessita de um contexto para ser compreendida. A criança aprende primeiro a linguagem da ação e aprende a falar através desta linguagem. Ao contrário, a linguagem da narrativa, que é estruturada e que relata os eventos à distância, introduz a noção de tempo, com um começo, um meio e um fim. O começo fazendo esperar o fim e entre os dois, os elementos da história se desenvolvem num ritmo alternado.
Para que a criança esteja pronta para aprender a ler e a escrever, precisa ter brincado durante muitos anos com a linguagem da narrativa. O jogo com essas duas formas de linguagem organiza a criança e vai constituir a aquisição da linguagem, pois a atividade lingüística é uma atividade lúdica. A narrativa permite o acesso à leitura e ao imaginário As histórias mobilizam as emoções, a imaginação e a fantasia e permitem à criança pensar na sua própria realidade e achar soluções para transformá-la.
No campo da cultura, tanto para os bebês quanto para os adultos, o livro é o eixo , o pivô da transmissão cultural. O uso da escrita é um suporte essencial para essa transmissão e os livros são os melhores mediadores, por sua diversidade e a facilidade de suas difusões.
A partir dos seis meses, o bebê é capaz de reconhecer as representações dos objetos de seu universo e tenta pegá-las. Aos poucos compreende que a imagem representa o objeto, que tem as mesmas características, mas não é o objeto. Quando a criança faz esta analogia, passa a acariciar a imagem, de um gato por exemplo, e não mais a tentar pegá-la. O livro se torna, então, um objeto de posse.
Toda criança num determinado momento exige a mesma história, durante um certo tempo. Graças à fixação do texto escrito, ela pode reencontrar as histórias, lidas de maneira idêntica, cada vez que necessário. O livro proporciona, então à criança, uma maior liberdade de jogo: necessidade do idêntico e a possibilidade de brincar com as imagens: bater no urso que faz medo, esconder o lobo..., o que facilita o trabalho de controle das emoções, das angústias de separação, das fobias infantis, inerentes ao seu desenvolvimento psicológico.
Sensibilizar os pais e adultos que se ocupam da criança é muito importante. A melhor maneira é que sejam testemunhas do real prazer e das reações da criança em relação aos livros: na sala de espera de um posto de Proteção Materno Infantil, a mãe de Sébastian, quinze meses, surpresa pelo fato de seu filho já estar há dez minutos vendo um livro, se exclama, quando o menino se levanta, repentinamente, no meio da história: “Ah! estava bom demais. Ele que não fica quieto um instante...”. Sua surpresa foi muito maior, quando Sébastian volta com um avião e coloca o objeto sobre a imagem de um avião. “Puxa, você viu? ele entendeu tudo...”. Essa mãe, como muitas outras, acabava de descobrir aptidões de seu filho que até então ela desconhecia. Tais testemunhos são fundamentais, tanto na interação mãe/criança, quanto no vínculo dos outros adultos, como professores, que passam a ver potenciais das crianças, ainda não observados, o que acarreta uma mudança importante na relação.
Quanto mais cedo a criança entrar no mundo da literatura, mais chances terá de se tornar um futuro leitor. Mas é sempre possível reconstituir experiências positivas em outros momentos da vida.
Uma experiência surpreendente com pré-adolescentes, num conjunto de habitação popular, nos trouxe a confirmação do quanto esse tempo das histórias durante a infância é essencial.
Nosso objetivo era propor as animações-livros para todas as crianças, residentes deste conjunto, em idade pré-escolar e as que estavam em fase de alfabetização. Ao invés desses pequenos, encontrei-me com meninos e meninas de onze a treze anos, que vieram espontaneamente. Tratava-se de um grupo violento, alguns com passagens no comissariado de policia, a maioria com grandes dificuldades escolares. Essas crianças, cujo único meio de comunicação era a agressividade, física ou verbal, num movimento regressivo, mostraram-se ávidos pelas histórias infantis, como se esses primeiros contatos com os livros, as imagens e a narrativa, fossem uma etapa obrigatória no seu desenvolvimento intelectual e afetivo, etapa omitida em suas vidas. Somente depois de dois anos foram capazes de investir os livros, digamos, apropriados à sua faixa etária.
A mudança que ocorreu nessa população tão desprovida no plano cultural foi significativa, tanto na agressividade, que diminuiu consideravelmente, quanto nas esferas afetivas e intelectuais. Muitos se inscreveram na biblioteca do bairro e traziam para o grupo os livros escolhidos.
Podemos constatar que mesmo em condições difíceis, é possível realizar uma proposta de transmissão cultural que permita o livre aflorar da criatividade e a elaboração, por parte da criança, de suas dificuldades e conflitos.
Cada vez mais a desigualdade é insuportável e prevenir as futuras exclusões e segregações, as quais as crianças possam vir a sofrer mais tarde como adultos iletrados, é dever de todos...
Este trabalho tem também objetivos e efeitos sobre a família e o meio sociocultural mais amplo em que a criança se insere e oferece a todos a mesma possibilidade de acesso às diferentes formas de linguagem e as elaborações psíquicas que esta ação permite, englobando as áreas educativas, sociais e clínicas.
Como disse Otto Rank: “A literatura é o sonho acordado das civilizações. Assim como não pode haver equilíbrio psíquico sem o sonho durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura”.
Sejamos todos Cheherazade. Contando belas histórias às nossas crianças, fazendo delas admiradoras incondicionais da literatura e dos livros, e de geração em geração de Cheherazade, bem além de mil e uma noites, os bebês de hoje, futuros leitores, terão garantido um dos direitos básicos de todo ser humano, o acesso a cultura.
Claudia Maria de Lima Brandão
Psicóloga Clínica, Fonoaudióloga, Presidente da Associação Cultural Quero Ler – RJ
* Artigo no Jornal “Poiésis, Literatura, Pensamento & Arte” – Ano VIII N°77 –
julho 2002
Fonoaudióloga – Instituto Henry Dunant – RJ
¨ Presidente da Associação Cultural Quero Ler RJ
¨ Trabalhou de 1983 a 1999 na Associação “ACCES” – Paris – na Pesquisa sobre o Contato Precoce da Criança com o Livro
¨ Trabalhou como Psicóloga Clínica no Centro de Psiquiatria “CENTRE ALFRED BINET”, onde implantou um Atelier de leitura de histórias e contos (Paris 1985 à 1999)
¨ Trabalhou no Projeto do Ministério da Saúde, em parceria com a Fundação ABRINQ, na implantação da “Biblioteca Viva em Hospitais”, na formação e supervisão das equipes do Instituto Fernandes Figueira, Hospital Municipal Jesus e Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira – IPPMG, no Rio de Janeiro – 2001
Cursos e palestras junto a Casa da Leitura e ao PROLER – desde 2000
Eixo da Transmissão Cultural *
O desenvolvimento da alta tecnologia dominou esse final de milênio e penetrou nos lares e na vida da criança de uma maneira muito precoce. Veio a televisão, vieram os computadores, os jogos de vídeo-games e nesse mundo informatizado, o tempo do “Era uma vez, um rei e uma rainha, num país distante...” se perdeu.
Assim, há muito e muito tempo, num país distante, do outro lado do Atlântico, na cidade luz, Paris... três psicanalistas, René DIATKINE, Tony LAINÉ e Marie BONNAFÉ atendiam adolescentes que apresentavam diversas dificuldades particularmente escolares, com um histórico de repetência significativo, muitos com fobia escolar e já no limite da marginalidade. Esses psicanalistas começaram a se questionar e constataram que, o ponto em comum entre os adolescentes era a ausência total do livro em suas vidas. Alarmados com esse quadro e o número crescente de crianças que não se alfabetizavam no final do primeiro ano, esses profissionais se perguntavam sobre um possível trabalho de prevenção.
A resposta a esse questionamento veio em 1979, num colóquio realizado em Paris, sobre as dificuldades da linguagem escrita. Emília FERREIRO apresentou sua pesquisa comparativa, sobre a curiosidade da criança diante das histórias e da escrita. Constatou que toda criança, independente de sua classe social, se interessa espontaneamente pelos livros. No entanto, a partir dos quatro anos, o meio exerce influência significativa, o que diferencia os grupos.
As conclusões de Emilia FERREIRO encorajaram René DIATKINE e seus colaboradores, a criarem, em 1980, a Associação “Actions Culturelles contre les Exclusions et les Ségrégations – A.C.C.E.S.“, cujo objetivo é desenvolver uma atividade cultural precoce e justificou intervenções que constituem um aporte, tanto para as crianças de meios desfavorecidos quanto para as outras. Um dos objetivos da ACCES é a prevenção da repetência escolar, colocando a criança, o mais cedo possível, em contato com os livros e a linguagem da narrativa. Tem como hipótese, que a criança que vivenciou, desde os primeiros meses de vida, um tempo lúdico com as histórias, conservará o interesse pelas mesmas e estará em melhores condições para as aprendizagens da escrita e da leitura. Esta hipótese foi confirmada ao longo dos anos de pesquisa.
Assim sendo, desde 1983, enquanto colaboradora da Associação ACCES, desenvolvi um trabalho que consiste em apresentar às crianças, desde bebês, livros de literatura, comportando ilustrações e textos de qualidade estética, nos mais diversos lugares do cotidiano.
Para várias crianças, a escola é o único lugar onde elas podem ter um contato com os livros, que muitas vezes estão associados a uma exigência escolar, podendo tornar-se objeto de avaliações. A vertente da aprendizagem é importante, mas para desenvolvermos o gosto pelos textos literários, é fundamental criar-se ações culturais livres e prazerosas, de leitura de histórias, contos e poesias, nos momentos transitórios ou ociosos, para conseguirmos quebrar este vínculo. Este espaço lúdico pode e deve ser desenvolvido também nas escolas. Esta familiarização com a escrita nos locais de coletividade, ameniza os efeitos da ausência dos livros nas famílias.
O fracasso escolar e a marginalização social resultantes não são fatalidades do destino ou anomalias genéticas, mas sim um produto de carências tanto quantitativa quanto qualitativa das expressões da linguagem que cercam as crianças durante seus primeiros anos de vida.
A linguagem Factual, da ação, do cotidiano, acompanha os fatos e gestos da vida, é um comentário contínuo sem começo nem fim, que necessita de um contexto para ser compreendida. A criança aprende primeiro a linguagem da ação e aprende a falar através desta linguagem. Ao contrário, a linguagem da narrativa, que é estruturada e que relata os eventos à distância, introduz a noção de tempo, com um começo, um meio e um fim. O começo fazendo esperar o fim e entre os dois, os elementos da história se desenvolvem num ritmo alternado.
Para que a criança esteja pronta para aprender a ler e a escrever, precisa ter brincado durante muitos anos com a linguagem da narrativa. O jogo com essas duas formas de linguagem organiza a criança e vai constituir a aquisição da linguagem, pois a atividade lingüística é uma atividade lúdica. A narrativa permite o acesso à leitura e ao imaginário As histórias mobilizam as emoções, a imaginação e a fantasia e permitem à criança pensar na sua própria realidade e achar soluções para transformá-la.
No campo da cultura, tanto para os bebês quanto para os adultos, o livro é o eixo , o pivô da transmissão cultural. O uso da escrita é um suporte essencial para essa transmissão e os livros são os melhores mediadores, por sua diversidade e a facilidade de suas difusões.
A partir dos seis meses, o bebê é capaz de reconhecer as representações dos objetos de seu universo e tenta pegá-las. Aos poucos compreende que a imagem representa o objeto, que tem as mesmas características, mas não é o objeto. Quando a criança faz esta analogia, passa a acariciar a imagem, de um gato por exemplo, e não mais a tentar pegá-la. O livro se torna, então, um objeto de posse.
Toda criança num determinado momento exige a mesma história, durante um certo tempo. Graças à fixação do texto escrito, ela pode reencontrar as histórias, lidas de maneira idêntica, cada vez que necessário. O livro proporciona, então à criança, uma maior liberdade de jogo: necessidade do idêntico e a possibilidade de brincar com as imagens: bater no urso que faz medo, esconder o lobo..., o que facilita o trabalho de controle das emoções, das angústias de separação, das fobias infantis, inerentes ao seu desenvolvimento psicológico.
Sensibilizar os pais e adultos que se ocupam da criança é muito importante. A melhor maneira é que sejam testemunhas do real prazer e das reações da criança em relação aos livros: na sala de espera de um posto de Proteção Materno Infantil, a mãe de Sébastian, quinze meses, surpresa pelo fato de seu filho já estar há dez minutos vendo um livro, se exclama, quando o menino se levanta, repentinamente, no meio da história: “Ah! estava bom demais. Ele que não fica quieto um instante...”. Sua surpresa foi muito maior, quando Sébastian volta com um avião e coloca o objeto sobre a imagem de um avião. “Puxa, você viu? ele entendeu tudo...”. Essa mãe, como muitas outras, acabava de descobrir aptidões de seu filho que até então ela desconhecia. Tais testemunhos são fundamentais, tanto na interação mãe/criança, quanto no vínculo dos outros adultos, como professores, que passam a ver potenciais das crianças, ainda não observados, o que acarreta uma mudança importante na relação.
Quanto mais cedo a criança entrar no mundo da literatura, mais chances terá de se tornar um futuro leitor. Mas é sempre possível reconstituir experiências positivas em outros momentos da vida.
Uma experiência surpreendente com pré-adolescentes, num conjunto de habitação popular, nos trouxe a confirmação do quanto esse tempo das histórias durante a infância é essencial.
Nosso objetivo era propor as animações-livros para todas as crianças, residentes deste conjunto, em idade pré-escolar e as que estavam em fase de alfabetização. Ao invés desses pequenos, encontrei-me com meninos e meninas de onze a treze anos, que vieram espontaneamente. Tratava-se de um grupo violento, alguns com passagens no comissariado de policia, a maioria com grandes dificuldades escolares. Essas crianças, cujo único meio de comunicação era a agressividade, física ou verbal, num movimento regressivo, mostraram-se ávidos pelas histórias infantis, como se esses primeiros contatos com os livros, as imagens e a narrativa, fossem uma etapa obrigatória no seu desenvolvimento intelectual e afetivo, etapa omitida em suas vidas. Somente depois de dois anos foram capazes de investir os livros, digamos, apropriados à sua faixa etária.
A mudança que ocorreu nessa população tão desprovida no plano cultural foi significativa, tanto na agressividade, que diminuiu consideravelmente, quanto nas esferas afetivas e intelectuais. Muitos se inscreveram na biblioteca do bairro e traziam para o grupo os livros escolhidos.
Podemos constatar que mesmo em condições difíceis, é possível realizar uma proposta de transmissão cultural que permita o livre aflorar da criatividade e a elaboração, por parte da criança, de suas dificuldades e conflitos.
Cada vez mais a desigualdade é insuportável e prevenir as futuras exclusões e segregações, as quais as crianças possam vir a sofrer mais tarde como adultos iletrados, é dever de todos...
Este trabalho tem também objetivos e efeitos sobre a família e o meio sociocultural mais amplo em que a criança se insere e oferece a todos a mesma possibilidade de acesso às diferentes formas de linguagem e as elaborações psíquicas que esta ação permite, englobando as áreas educativas, sociais e clínicas.
Como disse Otto Rank: “A literatura é o sonho acordado das civilizações. Assim como não pode haver equilíbrio psíquico sem o sonho durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura”.
Sejamos todos Cheherazade. Contando belas histórias às nossas crianças, fazendo delas admiradoras incondicionais da literatura e dos livros, e de geração em geração de Cheherazade, bem além de mil e uma noites, os bebês de hoje, futuros leitores, terão garantido um dos direitos básicos de todo ser humano, o acesso a cultura.
Claudia Maria de Lima Brandão
Psicóloga Clínica, Fonoaudióloga, Presidente da Associação Cultural Quero Ler – RJ
* Artigo no Jornal “Poiésis, Literatura, Pensamento & Arte” – Ano VIII N°77 –
julho 2002
Fonoaudióloga – Instituto Henry Dunant – RJ
¨ Presidente da Associação Cultural Quero Ler RJ
¨ Trabalhou de 1983 a 1999 na Associação “ACCES” – Paris – na Pesquisa sobre o Contato Precoce da Criança com o Livro
¨ Trabalhou como Psicóloga Clínica no Centro de Psiquiatria “CENTRE ALFRED BINET”, onde implantou um Atelier de leitura de histórias e contos (Paris 1985 à 1999)
¨ Trabalhou no Projeto do Ministério da Saúde, em parceria com a Fundação ABRINQ, na implantação da “Biblioteca Viva em Hospitais”, na formação e supervisão das equipes do Instituto Fernandes Figueira, Hospital Municipal Jesus e Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira – IPPMG, no Rio de Janeiro – 2001
Cursos e palestras junto a Casa da Leitura e ao PROLER – desde 2000
Filhos do coração
“ Não dá para expressar em palavras o que é ser mãe do coração. É uma alegria imensa, um orgulho... isso tudo eleva a alma e dá entusiasmo, ainda mais para mim, que já estou com mais de 50 anos e tenho até um neto.” As palavras, carregadas de emoção, certamente resumem os sentimentos dos pais que um dia, por algum motivo que pode variar da infertilidade ao amor à primeira vista por uma criança, optam pela adoção.
“ O filho do coração” de que falamos é Felipe, um menino que hoje tem 3 anos e meio e uma história de vida que impressiona muitos adultos. A mãe é Maria Rita Teixeira, diretora executiva da APAV – Associação Paranaense Alegria de Viver, entidade que abriga, hoje, 23 crianças entre 0 e 12 anos portadoras do HIV, o vírus causador da Aids. Foi justamente esse vírus que acabou cruzando a visa dos dois.
Por causa da doença da mãe biológica, Felipe nasceu prematuro e com uma série de problemas que o deixaram por alguns meses no hospital. Saindo de lá, seu destino seria a APAV. No dia da alta, o marido e a filha da Rita foram buscá-lo no hospital. “Durante todo o trajeto, meu marido o observava pelo espelho retrovisor, e se comoveu com o olhar forte dele. Ficou claro que existia algo a mais, como se fosse um pedido para viver conosco. A adoção foi unanimidade na família”.
Rita conta que o mais difícil foi explicar às outras crianças da APAV o porquê de apenas Felipe ter encontrado uma casa. “Mas todas aceitaram, entendendo que ele precisava de cuidados especiais, que poderia ter de ir a um hospital a qualquer hora e que, na casa, não teria todos os recursos necessários. No final, as crianças até ajudaram a escolher o nome dele. “ Se há dificuldades com a saúde do menino? Sim, mas quam não tem?”, pensa.
Exceção
Hoje Felipe é um menino feliz, que leva uma vida saudável graças aos medicamentos e, principalmente, ao carinho recebido da família que o adotou. Infelizmente, porém, ele é mais do que exceção. De acordo com uma pesquisa realizada pela Lídia Dobrianskyj Weber, da Universidade Federal do Paraná que abrangeu as cidades de todo o país, a maioria dos casais interessados em adoção levam para casa bebês saudáveis. Apenas 23% dos adotados abrangidos pela pesquisa apresentava algum problema, e quase sempre de fácil tratamento, como anemia ou desnutrição.
A idade das crianças quase sempre vai até os dois anos, e a exigência é maior com isso do que com a cor da pele. Além disso, foi revelada uma leve preferência por meninas (57% contra 43% por meninos).
Tais exigências contribuem para uma “fila de espera” dos pais. O juiz de direito da Infância e da Juventude, Dr. Fabian Schweitzer, acha que os brasileiros ainda não aprenderam que adoção existe para a criança, qualquer que seja, e não para satisfazer os adultos. “ A maioria dos pretendentes faz restrições demais quanto à cor de pele, cabello, dos olhos e da idade. Esses esperam mais porque exigem demais. A população do Brasil não é feita de Barbies.”
De acordo com Schweitzer, mais de 350 crianças, com idades entre 5 e 18 anos, estão aptas à adoção no Paraná atualmente. “Entre elas há grupos de 5 ou seis irmãos de diferentes idades, crianças negras e problemas com a saúde, que os paranaenses recusam para adoção. Esse quadro precisa mudar.”
Apesar das dificuldades para essas crianças, uma grande surpresa da pesquisa foi que mais da metade dos entrevistados demonstrou interesse em uma nova adoção. Quanto aos filhos, quase a totalidade consideram pai adotivos como verdadeiros.
Felipe ainda é pequeno para dar sua opinião, mas certamente ela não seria muito diferente da de Rita. “ O melhor presente para qualquer mãe, e ainda mais para mim, que considero todas as crianças da APAV como filhos, é vê-los saudáveis e felizes. Fui privilegiada com o amor deles.”
Reportagem de Karen Marcelja, publicada na Gazeta do Povo de 12/05/02 – Caderno Viver Bem.
“ Não dá para expressar em palavras o que é ser mãe do coração. É uma alegria imensa, um orgulho... isso tudo eleva a alma e dá entusiasmo, ainda mais para mim, que já estou com mais de 50 anos e tenho até um neto.” As palavras, carregadas de emoção, certamente resumem os sentimentos dos pais que um dia, por algum motivo que pode variar da infertilidade ao amor à primeira vista por uma criança, optam pela adoção.
“ O filho do coração” de que falamos é Felipe, um menino que hoje tem 3 anos e meio e uma história de vida que impressiona muitos adultos. A mãe é Maria Rita Teixeira, diretora executiva da APAV – Associação Paranaense Alegria de Viver, entidade que abriga, hoje, 23 crianças entre 0 e 12 anos portadoras do HIV, o vírus causador da Aids. Foi justamente esse vírus que acabou cruzando a visa dos dois.
Por causa da doença da mãe biológica, Felipe nasceu prematuro e com uma série de problemas que o deixaram por alguns meses no hospital. Saindo de lá, seu destino seria a APAV. No dia da alta, o marido e a filha da Rita foram buscá-lo no hospital. “Durante todo o trajeto, meu marido o observava pelo espelho retrovisor, e se comoveu com o olhar forte dele. Ficou claro que existia algo a mais, como se fosse um pedido para viver conosco. A adoção foi unanimidade na família”.
Rita conta que o mais difícil foi explicar às outras crianças da APAV o porquê de apenas Felipe ter encontrado uma casa. “Mas todas aceitaram, entendendo que ele precisava de cuidados especiais, que poderia ter de ir a um hospital a qualquer hora e que, na casa, não teria todos os recursos necessários. No final, as crianças até ajudaram a escolher o nome dele. “ Se há dificuldades com a saúde do menino? Sim, mas quam não tem?”, pensa.
Exceção
Hoje Felipe é um menino feliz, que leva uma vida saudável graças aos medicamentos e, principalmente, ao carinho recebido da família que o adotou. Infelizmente, porém, ele é mais do que exceção. De acordo com uma pesquisa realizada pela Lídia Dobrianskyj Weber, da Universidade Federal do Paraná que abrangeu as cidades de todo o país, a maioria dos casais interessados em adoção levam para casa bebês saudáveis. Apenas 23% dos adotados abrangidos pela pesquisa apresentava algum problema, e quase sempre de fácil tratamento, como anemia ou desnutrição.
A idade das crianças quase sempre vai até os dois anos, e a exigência é maior com isso do que com a cor da pele. Além disso, foi revelada uma leve preferência por meninas (57% contra 43% por meninos).
Tais exigências contribuem para uma “fila de espera” dos pais. O juiz de direito da Infância e da Juventude, Dr. Fabian Schweitzer, acha que os brasileiros ainda não aprenderam que adoção existe para a criança, qualquer que seja, e não para satisfazer os adultos. “ A maioria dos pretendentes faz restrições demais quanto à cor de pele, cabello, dos olhos e da idade. Esses esperam mais porque exigem demais. A população do Brasil não é feita de Barbies.”
De acordo com Schweitzer, mais de 350 crianças, com idades entre 5 e 18 anos, estão aptas à adoção no Paraná atualmente. “Entre elas há grupos de 5 ou seis irmãos de diferentes idades, crianças negras e problemas com a saúde, que os paranaenses recusam para adoção. Esse quadro precisa mudar.”
Apesar das dificuldades para essas crianças, uma grande surpresa da pesquisa foi que mais da metade dos entrevistados demonstrou interesse em uma nova adoção. Quanto aos filhos, quase a totalidade consideram pai adotivos como verdadeiros.
Felipe ainda é pequeno para dar sua opinião, mas certamente ela não seria muito diferente da de Rita. “ O melhor presente para qualquer mãe, e ainda mais para mim, que considero todas as crianças da APAV como filhos, é vê-los saudáveis e felizes. Fui privilegiada com o amor deles.”
Reportagem de Karen Marcelja, publicada na Gazeta do Povo de 12/05/02 – Caderno Viver Bem.
Criança hiperativa precisa de método próprio
A criança parece sempre estar “a mil”, não consegue ficar sentada na carteira, tem dificuldade de organização, não conclui uma atividade e logo em seguida inicia outra. Isso pode ser hiperatividade. Quanto mais cedo for diagnosticada, melhor será o tratamento.
Para o coordenador do Centro de Neuropediatria do Hospital das Clínicas da UFPR, Sérgio Antoniuk, o colégio deve elaborar técnicas auxiliando o hiperativo a aprender do seu jeito. “A escola durante a alfabetização pode gerar ansiedade no hiperativo. Por isso, é importante ensinar primeiramente as letras e os sons de cada uma, ao invés do método global utilizado atualmente”, afirma Antoniuk. Ele ainda alerta que nem sempre uma criança desatenta é hiperativa. Porém, existem casos em que os dois diagnósticos aparecem juntos.
Academicamente, o hiperativo deve ser bem tratado e ter consciência de sua situação. Segundo Regiane Bérgamo, professora de Pedagogia da PUCPR, a escola deve saber identificar o problema para não rotular o aluno de mal-educado e bagunceiro. A professora deve trabalhar com atividades mais dinâmicas para prender a atenção da criança.
Matéria do Caderno Educação Infantil, da Gazeta do Povo de 21 de fevereiro de 2006, escrita por Luiza Prestes Karam.
A criança parece sempre estar “a mil”, não consegue ficar sentada na carteira, tem dificuldade de organização, não conclui uma atividade e logo em seguida inicia outra. Isso pode ser hiperatividade. Quanto mais cedo for diagnosticada, melhor será o tratamento.
Para o coordenador do Centro de Neuropediatria do Hospital das Clínicas da UFPR, Sérgio Antoniuk, o colégio deve elaborar técnicas auxiliando o hiperativo a aprender do seu jeito. “A escola durante a alfabetização pode gerar ansiedade no hiperativo. Por isso, é importante ensinar primeiramente as letras e os sons de cada uma, ao invés do método global utilizado atualmente”, afirma Antoniuk. Ele ainda alerta que nem sempre uma criança desatenta é hiperativa. Porém, existem casos em que os dois diagnósticos aparecem juntos.
Academicamente, o hiperativo deve ser bem tratado e ter consciência de sua situação. Segundo Regiane Bérgamo, professora de Pedagogia da PUCPR, a escola deve saber identificar o problema para não rotular o aluno de mal-educado e bagunceiro. A professora deve trabalhar com atividades mais dinâmicas para prender a atenção da criança.
Matéria do Caderno Educação Infantil, da Gazeta do Povo de 21 de fevereiro de 2006, escrita por Luiza Prestes Karam.
NA HORA DO PARTO A AJUDA DO PARCEIRO VALE MUITO
O grande momento chegou e o futuro papai reúne todas as condições de oferecer apoio e segurança para a sua companheira.
Ele se sente completamente feliz e orgulhoso. Afinal, foram 9 meses de muitas transformações, planos e emoções. E, se a hora do nascimento parece difícil, a atuação do companheiro é decisiva e pode até reduzir a duração do parto.
Nada de dúvidas nem calafrios. Ele pode manter a calma, ter controle da situação - por sinal, uma grande habilidade masculina – e, assim, dar suporte emocional para a mulher.É direito dele também cortar o cordão umbilical e dar o primeiro banho, se assim desejar. O importante é combinar detalhes com o obstetra e, sobretudo, ter noção concreta do que acontece ao longo do trabalho de parto.
Toda mulher pode parir e isso deve ser encarado como algo natural. Acontece que na hora do parto algumas regiões do cérebro atuam de formas distintas.“O cérebro primitivo é responsável por nossos instintos. Temos memória filogenética, comum a todos os mamíferos, que nos faz reagir da melhor maneira na hora de parir. Só que temos o neocórtex, região da memória atual que age sobre o primitivo. No momento do parto, é preciso que o primitivo aflore e domine a cena”, explica Heloísa Lessa, enfermeira obstetriz, professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e uma das organizadoras do II Congresso Internacional Ecologia do Parto e Nascimento, que acontece neste mês no Rio de Janeiro.
Por isso é tão importante criar um ambiente propício na hora do parto, com o máximo de privacidade e luz baixa (a luz forte estimula o neocortéx). Enfim, um ambiente calmo, livre de preocupações. Segundo a especialista, qualquer acontecimento, como o simples toque do telefone, pode interferir negativamente, pois a futura mãe produzirá adrenalina, hormônio que a deixa em estado de alerta, quando deveria estar liberando endorfina, que traz alívio da dor. Além do mais, a dor do parto tem hora para começar e acabar e há intervalos para a grávida descansar e repor as energias. A mulher que está amparada pelo companheiro e se deixa levar pelos instintos terá uma vivência positiva desse momento.
Assistir ou não
É habitual hoje o marido acompanhar a esposa na hora do parto, o que não significa obrigação. A decisão depende de alguns fatores e deve ser discutida pelo casal. “O homem que consegue controlar o nervosismo pode transmitir segurança para a gestante. Outros, porém, embora desejem participar, ficam tensos demais, o que pode atrapalhar o andamento do parto. Não há como saber como vai ser a reação de cada um”, pondera Heloísa Lessa. Mas, segundo ela, há indícios que devem ser levados em conta, como o fato de a pessoa não poder ver sangue.
O ginecologista e obstetra Abner Lobão Neto, coordenador do pré-natal personalizado da Universidade Federal de São Paulo, acrescenta: “A mulher tem o direito de decidir se deseja ou não que o marido esteja a seu lado no parto. Há algumas que não querem que o companheiro veja o bebê saindo pela vagina, porque temem que o encanto sexual seja quebrado”.
Participação no Pré natal
Ao acompanhar a esposa nas consultas mensais do pré-natal, o marido tem a chance de criar um vínculo com o obstetra, o que no dia do parto se traduz em maior segurança para todos. Segundo a pediatra e neonatologista Karina Maksymczuk, o lento desenrolar do parto normal causa nervosismo ao homem, que muitas vezes questiona se não é melhor optar pela cesárea, quando está tudo correndo bem. “Por isso a confiança na equipe médica tende a eliminar a ansiedade num momento que exige de todos tranqüilidade”, diz ela.
Documentos separados
Toda a parte burocrática pode e deve ser resolvida com antecedência, para que no dia do parto o marido não deixe a mulher sozinha nem por cinco minutos. Muitas maternidades fazem pré-internação. Nesse caso, é necessário preencher com antecedência um ficha com os dados do casal, com RG, CIC, nº da carteira do convênio, profissão, idade, endereço e tipo de acomodação que deseja. Essa ficha pode ser enviada por internet ou entregue pessoalmente no hospital. Para os usuários de planos de saúde, as maternidades costumam solicitar, no momento da internação, o RG da parturiente, a carteira do convênio e o comprovante do último pagamento. Há convênios que fornecem autorização para internação somente por meio de guia ou senha. É importante checar também se o plano cobre as acomodações da maternidade escolhida e se essa cobertura se estende aos profissionais, como anestesista, neonatologista, instrumentadora cirúrgica e obstetra. Para internações em hospitais públicos ou que mantenham convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS) é necessário apresentar RG da parturiente e do marido, carteira do pré-natal e certidão de casamento, se for o caso. A gestante deve levar também para a maternidade os exames realizados, em especial as ultra-sonografias, bem como uma carta do obstetra contendo os dados principais do pré-natal e os telefones do profissional. Por isso, quando a gravidez estiver chegando ao fim, o obstetra descreverá como foi o pré-natal, deixando por escrito as primeiras orientações para o parto – normal ou cesariana -, que deverão ser seguidas pelas enfermeiras no memento da internação.
O caminho da maternidade
O companheiro deve prestar atenção ao trajeto, buscar opções para evitar congestionamentos e ruas esburacadas. A futura mamãe sente as manobras bruscas. E mais: verificar os estacionamentos da região. Caso decidam ir de táxi, é bom ter à mão o telefone de uma central de confiança. Nada de afobação ou loucuras no trânsito. Muitos acidentes ocorrem por causa do pânico. Ambos devem usar cinto de segurança.
Faça sem discutir
A mulher tem que se concentrar nas contrações e nos intervalos. Discussões precisam ser evitadas. O marido não deve se surpreender se ela lhe pedir para fazer coisas aparentemente estranhas, como colocar sempre a mesma música.
Ele precisa estar pronto para caminhar com ela, limpar o suor do rosto, afagar seus cabelos e leva-la para o chuveiro ou para a banheira. Isso porque a água morna alivia o desconforto e tem efeito revigorante. “Se notar que a mulher está nervosa, o parceiro vai ajuda-la respirando profundamente várias vezes, olhando nos olhos dela. Instintivamente, ela passará a respirar fundo também, o que facilita a liberação de endorfina e o alívio da dor”, aconselha Heloísa. Ele não pode recrimina-la em hipótese alguma se ela gritar, chorar ou se comportar de forma diferente do habitual.
E se for cesárea?
O parto, especialmente se for cesariana, parece um evento médico, racional e preciso quando feito no hospital. “Mas trata-se de um momento de extrema importância emocional. Está nascendo uma nova família. Mesmo na cesariana, a presença do marido é fundamental. Ele está ali para segurar a mão da esposa, dar carinho, encoraja-la, presenciar o nascimento do filho, pegá-lo nos braços. Enfim, dividir com a companheira o memento do nascimento, fruto de um sonho”, diz Andréa Amaral de Almeida Prado, psicóloga e doula, profissional que acompanha a mulher no trabalho de parto.
Toque que alivia
No trabalho de parto, toda mulher procura instintivamente a postura mais adequada para fazer o bebê chegar ao mundo. As posições verticais favorecem a dilatação e a descida do nenê. Sendo assim, a gestante poderá caminhar, sentar e agachar, revezando movimentos.” A maioria das mulheres se queixa de desconforto na região lombar, em especial na altura do cóccix, bem com ode tensão nos ombros e no pescoço”, relata Heloísa. È aí que o parceiro pode ajudar, fazendo massagens nas regiões doloridas, nos intervalos das contrações, ora pressionando as pontas dos dedos, ora fazendo movimentos circulares. Não é preciso treino. O toque com amor e sensibilidade é um tremendo alívio para a futura mamãe.
Frase de ouro
A mulher precisa ser motivada e valorizada nesse momento tão especial. Por isso, atitudes sempre firmes e positivas aumentam a confiança e o entusiasmo. Pequenas frases usadas de forma comedida – como: “Você vai conseguir! Vamos lá! Nosso bebê está chegando! – são reforços muitos importantes.” Pesquisas indicam que o parto é mais rápido e fácil quando o acompanhante consegue manter a tranqüilidade durante todo o procedimento “, explica Vera Iaconelli, mestre em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em acompanhamento de partos de risco”.
Gente demais atrapalha
“O parto é um evento intenso e muito, mas muito íntimo. A mulher fica exposta o tempo todo com as pernas abertas e na frente de um vidro com outras pessoas observando. O que se faz em muitas maternidades hoje é simplesmente escandaloso”, afirma Vera Iaconelli, que aconselha o casal a exigir privacidade no hospital e a discutir sobre quando chamar a família e a quem recorrer. Mães e sogras estão emocionalmente envolvidas com a chegada do neto ou da neta. Muitas vezes elas não querem que a filha ou nora passe coisas que viveram, já que infelizmente as gerações passadas tiveram experiências difíceis de parto. Nessa hora, basta uma frase do tipo”não é melhor fazer uma cesárea?” para minar a segurança da gestante, conquistada ao longo de meses, O ginecologista e obstetra Abner Lobão Neto acha importante que o casal tenha privacidade nas primeiras horas que se seguem ao parto para trocar idéias sobre o que aconteceu e poder ficar com o bebê. São momentos únicos da nova família que precisam ser preservados. Mas acrescenta: “Se a angústia for grande por não avisar os parentes, pode-se comunica-los antes. Mas tem que se estar preparado paro o que vai acontecer. Parentes vão e voltam, fazem festa e nem sempre se dão conta dos limites”.
As horas depois do parto
Nem tudo são flores após o parto. E o papai precisará de muita paciência e compreensão. “Cerca de 80% das mulheres apresentam, após o parto, alteração depressiva do humor. Muitas choram por qualquer razão, ficam tristes e questionam se vão conseguir cuidar do bebê. Isso se deve à queda abrupta das taxas de hormônios na hora do nascimento. Ao mesmo tempo, aumenta a prolactina, hormônio relativamente depressor do humor”, explica Lobão Neto. Segundo ele, a maioria das mamães supera essa fase nos primeiros dias. Apenas uma minoria, entre 5% e 15% delas, terá depressão pelo período de um a três meses. Sabendo de tudo isso, o parceiro poderá dar suporte emocional à mulher, ouvindo as queixas dela, ajudando-a a cuidar do bebê e protegendo-a de pessoas intrometidas e inconvenientes.
Artigo extraído da revista Guia Completo do Parto – Especial Meu Nenê, ano 5, nº 20. Editora Símbolo.
O grande momento chegou e o futuro papai reúne todas as condições de oferecer apoio e segurança para a sua companheira.
Ele se sente completamente feliz e orgulhoso. Afinal, foram 9 meses de muitas transformações, planos e emoções. E, se a hora do nascimento parece difícil, a atuação do companheiro é decisiva e pode até reduzir a duração do parto.
Nada de dúvidas nem calafrios. Ele pode manter a calma, ter controle da situação - por sinal, uma grande habilidade masculina – e, assim, dar suporte emocional para a mulher.É direito dele também cortar o cordão umbilical e dar o primeiro banho, se assim desejar. O importante é combinar detalhes com o obstetra e, sobretudo, ter noção concreta do que acontece ao longo do trabalho de parto.
Toda mulher pode parir e isso deve ser encarado como algo natural. Acontece que na hora do parto algumas regiões do cérebro atuam de formas distintas.“O cérebro primitivo é responsável por nossos instintos. Temos memória filogenética, comum a todos os mamíferos, que nos faz reagir da melhor maneira na hora de parir. Só que temos o neocórtex, região da memória atual que age sobre o primitivo. No momento do parto, é preciso que o primitivo aflore e domine a cena”, explica Heloísa Lessa, enfermeira obstetriz, professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e uma das organizadoras do II Congresso Internacional Ecologia do Parto e Nascimento, que acontece neste mês no Rio de Janeiro.
Por isso é tão importante criar um ambiente propício na hora do parto, com o máximo de privacidade e luz baixa (a luz forte estimula o neocortéx). Enfim, um ambiente calmo, livre de preocupações. Segundo a especialista, qualquer acontecimento, como o simples toque do telefone, pode interferir negativamente, pois a futura mãe produzirá adrenalina, hormônio que a deixa em estado de alerta, quando deveria estar liberando endorfina, que traz alívio da dor. Além do mais, a dor do parto tem hora para começar e acabar e há intervalos para a grávida descansar e repor as energias. A mulher que está amparada pelo companheiro e se deixa levar pelos instintos terá uma vivência positiva desse momento.
Assistir ou não
É habitual hoje o marido acompanhar a esposa na hora do parto, o que não significa obrigação. A decisão depende de alguns fatores e deve ser discutida pelo casal. “O homem que consegue controlar o nervosismo pode transmitir segurança para a gestante. Outros, porém, embora desejem participar, ficam tensos demais, o que pode atrapalhar o andamento do parto. Não há como saber como vai ser a reação de cada um”, pondera Heloísa Lessa. Mas, segundo ela, há indícios que devem ser levados em conta, como o fato de a pessoa não poder ver sangue.
O ginecologista e obstetra Abner Lobão Neto, coordenador do pré-natal personalizado da Universidade Federal de São Paulo, acrescenta: “A mulher tem o direito de decidir se deseja ou não que o marido esteja a seu lado no parto. Há algumas que não querem que o companheiro veja o bebê saindo pela vagina, porque temem que o encanto sexual seja quebrado”.
Participação no Pré natal
Ao acompanhar a esposa nas consultas mensais do pré-natal, o marido tem a chance de criar um vínculo com o obstetra, o que no dia do parto se traduz em maior segurança para todos. Segundo a pediatra e neonatologista Karina Maksymczuk, o lento desenrolar do parto normal causa nervosismo ao homem, que muitas vezes questiona se não é melhor optar pela cesárea, quando está tudo correndo bem. “Por isso a confiança na equipe médica tende a eliminar a ansiedade num momento que exige de todos tranqüilidade”, diz ela.
Documentos separados
Toda a parte burocrática pode e deve ser resolvida com antecedência, para que no dia do parto o marido não deixe a mulher sozinha nem por cinco minutos. Muitas maternidades fazem pré-internação. Nesse caso, é necessário preencher com antecedência um ficha com os dados do casal, com RG, CIC, nº da carteira do convênio, profissão, idade, endereço e tipo de acomodação que deseja. Essa ficha pode ser enviada por internet ou entregue pessoalmente no hospital. Para os usuários de planos de saúde, as maternidades costumam solicitar, no momento da internação, o RG da parturiente, a carteira do convênio e o comprovante do último pagamento. Há convênios que fornecem autorização para internação somente por meio de guia ou senha. É importante checar também se o plano cobre as acomodações da maternidade escolhida e se essa cobertura se estende aos profissionais, como anestesista, neonatologista, instrumentadora cirúrgica e obstetra. Para internações em hospitais públicos ou que mantenham convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS) é necessário apresentar RG da parturiente e do marido, carteira do pré-natal e certidão de casamento, se for o caso. A gestante deve levar também para a maternidade os exames realizados, em especial as ultra-sonografias, bem como uma carta do obstetra contendo os dados principais do pré-natal e os telefones do profissional. Por isso, quando a gravidez estiver chegando ao fim, o obstetra descreverá como foi o pré-natal, deixando por escrito as primeiras orientações para o parto – normal ou cesariana -, que deverão ser seguidas pelas enfermeiras no memento da internação.
O caminho da maternidade
O companheiro deve prestar atenção ao trajeto, buscar opções para evitar congestionamentos e ruas esburacadas. A futura mamãe sente as manobras bruscas. E mais: verificar os estacionamentos da região. Caso decidam ir de táxi, é bom ter à mão o telefone de uma central de confiança. Nada de afobação ou loucuras no trânsito. Muitos acidentes ocorrem por causa do pânico. Ambos devem usar cinto de segurança.
Faça sem discutir
A mulher tem que se concentrar nas contrações e nos intervalos. Discussões precisam ser evitadas. O marido não deve se surpreender se ela lhe pedir para fazer coisas aparentemente estranhas, como colocar sempre a mesma música.
Ele precisa estar pronto para caminhar com ela, limpar o suor do rosto, afagar seus cabelos e leva-la para o chuveiro ou para a banheira. Isso porque a água morna alivia o desconforto e tem efeito revigorante. “Se notar que a mulher está nervosa, o parceiro vai ajuda-la respirando profundamente várias vezes, olhando nos olhos dela. Instintivamente, ela passará a respirar fundo também, o que facilita a liberação de endorfina e o alívio da dor”, aconselha Heloísa. Ele não pode recrimina-la em hipótese alguma se ela gritar, chorar ou se comportar de forma diferente do habitual.
E se for cesárea?
O parto, especialmente se for cesariana, parece um evento médico, racional e preciso quando feito no hospital. “Mas trata-se de um momento de extrema importância emocional. Está nascendo uma nova família. Mesmo na cesariana, a presença do marido é fundamental. Ele está ali para segurar a mão da esposa, dar carinho, encoraja-la, presenciar o nascimento do filho, pegá-lo nos braços. Enfim, dividir com a companheira o memento do nascimento, fruto de um sonho”, diz Andréa Amaral de Almeida Prado, psicóloga e doula, profissional que acompanha a mulher no trabalho de parto.
Toque que alivia
No trabalho de parto, toda mulher procura instintivamente a postura mais adequada para fazer o bebê chegar ao mundo. As posições verticais favorecem a dilatação e a descida do nenê. Sendo assim, a gestante poderá caminhar, sentar e agachar, revezando movimentos.” A maioria das mulheres se queixa de desconforto na região lombar, em especial na altura do cóccix, bem com ode tensão nos ombros e no pescoço”, relata Heloísa. È aí que o parceiro pode ajudar, fazendo massagens nas regiões doloridas, nos intervalos das contrações, ora pressionando as pontas dos dedos, ora fazendo movimentos circulares. Não é preciso treino. O toque com amor e sensibilidade é um tremendo alívio para a futura mamãe.
Frase de ouro
A mulher precisa ser motivada e valorizada nesse momento tão especial. Por isso, atitudes sempre firmes e positivas aumentam a confiança e o entusiasmo. Pequenas frases usadas de forma comedida – como: “Você vai conseguir! Vamos lá! Nosso bebê está chegando! – são reforços muitos importantes.” Pesquisas indicam que o parto é mais rápido e fácil quando o acompanhante consegue manter a tranqüilidade durante todo o procedimento “, explica Vera Iaconelli, mestre em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em acompanhamento de partos de risco”.
Gente demais atrapalha
“O parto é um evento intenso e muito, mas muito íntimo. A mulher fica exposta o tempo todo com as pernas abertas e na frente de um vidro com outras pessoas observando. O que se faz em muitas maternidades hoje é simplesmente escandaloso”, afirma Vera Iaconelli, que aconselha o casal a exigir privacidade no hospital e a discutir sobre quando chamar a família e a quem recorrer. Mães e sogras estão emocionalmente envolvidas com a chegada do neto ou da neta. Muitas vezes elas não querem que a filha ou nora passe coisas que viveram, já que infelizmente as gerações passadas tiveram experiências difíceis de parto. Nessa hora, basta uma frase do tipo”não é melhor fazer uma cesárea?” para minar a segurança da gestante, conquistada ao longo de meses, O ginecologista e obstetra Abner Lobão Neto acha importante que o casal tenha privacidade nas primeiras horas que se seguem ao parto para trocar idéias sobre o que aconteceu e poder ficar com o bebê. São momentos únicos da nova família que precisam ser preservados. Mas acrescenta: “Se a angústia for grande por não avisar os parentes, pode-se comunica-los antes. Mas tem que se estar preparado paro o que vai acontecer. Parentes vão e voltam, fazem festa e nem sempre se dão conta dos limites”.
As horas depois do parto
Nem tudo são flores após o parto. E o papai precisará de muita paciência e compreensão. “Cerca de 80% das mulheres apresentam, após o parto, alteração depressiva do humor. Muitas choram por qualquer razão, ficam tristes e questionam se vão conseguir cuidar do bebê. Isso se deve à queda abrupta das taxas de hormônios na hora do nascimento. Ao mesmo tempo, aumenta a prolactina, hormônio relativamente depressor do humor”, explica Lobão Neto. Segundo ele, a maioria das mamães supera essa fase nos primeiros dias. Apenas uma minoria, entre 5% e 15% delas, terá depressão pelo período de um a três meses. Sabendo de tudo isso, o parceiro poderá dar suporte emocional à mulher, ouvindo as queixas dela, ajudando-a a cuidar do bebê e protegendo-a de pessoas intrometidas e inconvenientes.
Artigo extraído da revista Guia Completo do Parto – Especial Meu Nenê, ano 5, nº 20. Editora Símbolo.
FÉRIAS
Com alguns cuidados simples, fuja das ciladas dos parquinhos e tenha diversão sem arranhão
Balança, mas não cai
GABRIELA ROMEU
FREE-LANCE PARA A FOLHINHA
Diversão não combina com arranhão, apesar da rima. Mas os parquinhos -lugares de brincadeira preferidos de meninos e meninas- escondem ciladas em que as crianças caem (ou torcem o pé, queimam o bumbum, batem a cabeça).
Com a chegada das férias, os playgrounds (parquinhos com balanços, escorregadores, gangorras) são um ponto de encontro da molecada que mora em prédios, freqüenta clubes ou brinca na praça do bairro. Quem não gosta de escalar o trepa-trepa ou rodopiar no gira-gira? Alguns cuidados, no entanto, devem ser tomados para que as férias não acabem mal.
Foi o que aconteceu com Júlia Andreucci Alves, 7. Há uns dois anos, ela estava com a família em uma pousada, onde brincava na piscina e no parquinho. Um dia, ao sair da piscina, foi direto para o escorregador. Com a superfície de alumínio debaixo do sol, o brinquedo "estava pelando", lembra.
Resultado: a menina queimou o bumbum, foi parar num pronto-socorro e terminou as férias com curativos ("durante 15 dias"). "Hoje, antes de escorregar, coloco a mão para ver se o escorregador está quente", diz.
Kevin Holtz, 9, não precisou ir longe para se machucar num parquinho. Quando ele tinha sete anos, enquanto brincava no playground do prédio onde mora, caiu do escorregador e quebrou o braço. "Eu me desequilibrei, não segurei direito", conta Kevin.
Já a diversão de Juliana Berchielli Boffa, 7, num brinquedo de uma lanchonete rendeu um pé engessado por duas semanas. Foi num daqueles brinquedos de plástico, que parecem uma casinha. Depois de subir e descer escadas e cruzar túneis e pontes, Juliana pulou numa piscina de bolinhas. Para sua surpresa, a piscina não tinha bolinhas suficientes para absorver o impacto da queda.
"Realmente o parquinho é um local onde acidentes são comuns. Por isso os adultos têm que ficar atentos ao local e à brincadeira das crianças", explica Ana Maria Escobar, 46, pediatra do Instituto da Criança. Segundo ela, os campeões de acidentes são a balança, o escorregador e o trepa-trepa.
Gabriela de Brelàz
Coordenadora de Planejamento
Criança Segura Safe Kids Brasil
Com alguns cuidados simples, fuja das ciladas dos parquinhos e tenha diversão sem arranhão
Balança, mas não cai
GABRIELA ROMEU
FREE-LANCE PARA A FOLHINHA
Diversão não combina com arranhão, apesar da rima. Mas os parquinhos -lugares de brincadeira preferidos de meninos e meninas- escondem ciladas em que as crianças caem (ou torcem o pé, queimam o bumbum, batem a cabeça).
Com a chegada das férias, os playgrounds (parquinhos com balanços, escorregadores, gangorras) são um ponto de encontro da molecada que mora em prédios, freqüenta clubes ou brinca na praça do bairro. Quem não gosta de escalar o trepa-trepa ou rodopiar no gira-gira? Alguns cuidados, no entanto, devem ser tomados para que as férias não acabem mal.
Foi o que aconteceu com Júlia Andreucci Alves, 7. Há uns dois anos, ela estava com a família em uma pousada, onde brincava na piscina e no parquinho. Um dia, ao sair da piscina, foi direto para o escorregador. Com a superfície de alumínio debaixo do sol, o brinquedo "estava pelando", lembra.
Resultado: a menina queimou o bumbum, foi parar num pronto-socorro e terminou as férias com curativos ("durante 15 dias"). "Hoje, antes de escorregar, coloco a mão para ver se o escorregador está quente", diz.
Kevin Holtz, 9, não precisou ir longe para se machucar num parquinho. Quando ele tinha sete anos, enquanto brincava no playground do prédio onde mora, caiu do escorregador e quebrou o braço. "Eu me desequilibrei, não segurei direito", conta Kevin.
Já a diversão de Juliana Berchielli Boffa, 7, num brinquedo de uma lanchonete rendeu um pé engessado por duas semanas. Foi num daqueles brinquedos de plástico, que parecem uma casinha. Depois de subir e descer escadas e cruzar túneis e pontes, Juliana pulou numa piscina de bolinhas. Para sua surpresa, a piscina não tinha bolinhas suficientes para absorver o impacto da queda.
"Realmente o parquinho é um local onde acidentes são comuns. Por isso os adultos têm que ficar atentos ao local e à brincadeira das crianças", explica Ana Maria Escobar, 46, pediatra do Instituto da Criança. Segundo ela, os campeões de acidentes são a balança, o escorregador e o trepa-trepa.
Gabriela de Brelàz
Coordenadora de Planejamento
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