Médicos se posicionam formalmente contra o TÊNIS DE RODINHAS
Lançado há alguns meses, o tênis com rodinhas caiu no gosto das crianças com menos de seis anos, embora ainda deixe muitos pais preocupados. Ciente de que o calçado está sendo utilizado por crianças de 70 países, a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos acaba de lançar um folheto que alerta para a importância de as crianças utilizarem capacete e protetores nos pulsos, joelhos e cotovelos sempre que estiverem usando os tênis com rodinhas.
“Como esses calçados são vendidos em lojas de departamentos, os pais geralmente acreditam que não oferecem riscos a seus filhos”, diz o ortopedista pediátrico James Beaty – presidente da Academia.
Na opinião do médico ortopedista Luiz Antonio de Azevedo Lage, desde o lançamento do tênis com rodinhas a classe médica acreditava que o calçado podia se transformar em um brinquedo perigoso.
“O grande problema é que o calçado continua sendo vendido como inofensivo, quando pode causar lesões tão importantes quanto o ciclismo ou o skatismo, por exemplo. Pior ainda é o fato de que, em qualquer esporte, há um tempo de aprendizado que costuma receber a orientação e atenção dos pais ou responsáveis. Isso não ocorre com o tênis-patins, já que ao vestir o calçado, a criança veste também o brinquedo, assumindo seus riscos”, diz Lage.
Para o especialista, o modismo tem levado cada vez mais crianças para o Pronto Atendimento dos hospitais. “Muitas vezes elas testam os patins longe da assistência dos pais, sem avaliar riscos ambientais como irregularidades no piso e movimento de pedestres ou automóveis, o que pode causar graves acidentes e lesões diversas, principalmente em membros superiores, que são as fraturas mais comuns em crianças”.
Lage defende que mais vale dar um par de patins à criança e ensiná-la a usar de forma adequada e protegida, vestindo os equipamentos de segurança adequados, do que ‘embarcar’ em modismos que podem comprometer os movimentos de alguém que não tem capacidade de decidir sozinho.
Fonte: Dr. Luiz Antonio de Azevedo Lage, médico ortopedista da Clínica Lage Ortopedia de Ponta e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Em tempos de superbabás...
Considero pertinente a discussão sobre a proliferação dos atuais Reality shows envolvendo crianças e seus pais, orientados por “superbabás”. Além da exposição das crianças, o que já seria questionável, os programas partem de situações extremas que são utilizadas como parâmetros para deflagrar a incompetência dos pais diante do processo educacional de seus filhos e assim, justificar a invasão desta relação por uma desconhecida. Situações que claramente mostram dificuldades nos vínculos afetivos familiares são abordadas de forma superficial. Se conseguirmos um olhar mais alongado, percebemos que, em muitos casos, a babá não é uma desconhecida para as crianças, estabelece bons vínculos com ela, mas mesmo que seja sabedora de boas soluções para impasses, uma profissional consciente de sua função não deveria chamar a atenção dos pais diante dos próprios filhos, mas partilhar suas experiências anteriores e atuais, auxiliando na reflexão e incrementando a autoconfiança dos pais em relação às suas atitudes. Parece haver uma distorção do papel de uma boa babá em uma família comum.
Se o olhar for reduzido ao entretenimento, considero mais útil que os pais aproveitem o limitado tempo que lhes resta junto aos filhos tocando, brincando, conhecendo-se mutuamente, ampliando sua própria sensibilidade em relação às necessidades de sua criança em cada fase específica do que assistindo a situações alheias.
Fernanda Roche é psicóloga e coordenadora do Projeto CRIANÇA EM FOCO, que ao longo dos últimos cinco anos formou mais de oitocentas babás.
LEITURA
A leitura é também uma forma bastante rica do brincar. Os livros, desde os mais simples, trazem um número muito grande de informações à criança, em forma de figuras, cores, texturas, sons, letras, números, formas geométricas e cheiros, enfim, todo tipo de estimulação necessária ao bom desenvolvimento intelectual da criança. Além disso, cada vez mais eles trazem riquíssimas ilustrações que também estimulam a criatividade da criança.
Desde os primeiros meses, é importante colocar livros, de plástico ou tecido, no meio dos brinquedos do bebê, para que comece a se familiarizar com estes. Às vezes não percebemos, mas os bebês têm uma capacidade muito grande de observação do mundo à sua volta, e provavelmente já terão visto o papai, a mamãe ou sua babá lendo livros ou folheando revistas, e nos surpreenderão sabendo manuseá-los muito cedo.
Os livros servem, num primeiro momento, para que o bebê tenha acesso a estímulos variados; adiante, vão servir para que escute o adulto contar-lhe histórias, que por mais simples que sejam, lhe ajudarão a começar a relacionar as figuras com seus nomes, ampliando seu vocabulário. Mais adiante um pouco, a criança aprende a conhecer a existência das letras. Aos poucos, ela vai se dando conta que estas se juntam formando as palavras que o adulto lê, o que já é um início do processo de alfabetização. Já alfabetizadas, o livro é fonte inesgotável de conhecimento e fantasia para a criança.
Os livros têm a função fundamental de formar o imaginário da criança, dar-lhe a oportunidade de "viajar", abre lacunas que são preenchidas por cada uma a seu jeito. Além disso, são objetos de formação para elas! Elas experenciam através do que lêem, aprendem, se formam e se transformam, podendo assim modificar o mundo também. São companheiros que a criança pode levar a qualquer lugar, indispensáveis e insubstituíveis.
É preciso, porém, ter cuidado com o tipo de material do livro que será dado à criança pequena. Existem livros apropriados para cada faixa de idade, que não oferecem riscos de machucar o bebê ou de ser estragados. As crianças até aproximadamente três anos não devem manusear livros de papel sozinhas, pois não têm ainda a coordenação motora fina necessária, e este material pode ferir seus olhos, além de rasgar com facilidade. Existem livros de tecido, de plástico para o banho e ainda livros de folhas duras e grossas, mais resistentes.
As crianças maiores já podem receber materiais mais elaborados, além de livros-brinquedo que exercitam sua criatividade. Aos poucos, elas vão começando a criar histórias, decorar pequenos textos, fingindo saber ler, até que aprendem de fato. Neste momento todo um mundo novo se abre para elas.
Não existe uma técnica certa para a leitura de livros para as crianças. O adulto apenas precisa ter disposição para dar mais esta atenção a elas. Cada um descobre a sua própria maneira de explorar melhor a hora da leitura. Aos poucos, o leitor vai perceber que também se beneficia do que vêm escutando: até os adultos retiram lições dos contos infantis. É muito importante que o adulto escolha livros que também a encantem, só assim o levará com entusiasmo para a criança.
As fábulas como "A cigarra e a formiga", " A tartaruga e a lebre", "A cegonha e a raposa" , por exemplo, são histórias antigas, que sempre trazem uma lição àqueles que as escutam. São muito importantes para a formação do caráter da criança. É fundamental que o leitor comente com a criança ao final, ajudando a firmar as lições que elas trazem. Da mesma forma, os contos clássicos como "O soldadinho de chumbo", "Chapeuzinho vermelho", "Os três porquinhos" e tantos outros precisam ser comentados, procurando sempre observar qual a compreensão da criança à história, estimulando assim seu raciocínio e capacidade de observação.
Do ponto de vista das emoções, os livros podem contar histórias que falam do dia-a-dia da criança ou de hábitos, lugares e situações, nos quais ela começa a se reconhecer pouco a pouco. Falam também de sentimentos como amor, carinho, proteção, cuidado, inveja, raiva, ciúmes, medo, entre outros, ajudando a criança a compreender melhor as coisas que sente.
Os adultos perceberão que a criança geralmente pede que lhe seja contada a mesma história muitas vezes seguidas, e que, se mudamos alguma coisa no texto, isto logo é percebido pela criança, que corrige ou se irrita. Isto acontece porque elas adoram a repetição: ela ajuda a criança a compreender melhor os sentimentos que aquela história despertou nela. Por exemplo, em "João e Maria", a criança é levada a lembrar do medo de ser abandonada pelos pais, que todas sentem, e que lhes causa grande ansiedade. Através da repetição do conto, aquelas emoções vão sendo experimentadas, melhor compreendidas e elaboradas através do final feliz.
Existem livros que ajudam os adultos a esclarecer as dúvidas das crianças com mais facilidade, falando sobre situações novas como nascimento de irmãos, perda de dentes, entrada na escola, dúvidas a respeito de educação sexual e até mesmo sobre situações difíceis como hospitalizações e morte. As crianças costumam se identificar com os personagens principais e sentem-se aliviadas com os finais felizes e em perceber que não são as únicas a enfrentar situações mais complicadas.
Muito importante ainda é estimular a criança a criar suas próprias histórias, usando a imaginação. Ela só conseguirá fazê-lo após ter aprendido o bom hábito de ouvir as histórias contadas por um adulto.
Logo compreende a estrutura da narrativa: como inicia, se desenrola e termina uma história, e então passa a conseguir dar seu próprio conteúdo. Desta forma, falará de seus sentimentos e das coisas que são importantes para ela naquele momento, dando pistas do que lhe vai na mente.
Finalmente, um bom hábito a ser adaptado à rotina da criança pode ser a "hora do conto", geralmente útil quando chega a hora de ir para a cama. Serve para acalmar os ânimos, abaixar as energias e incentivar a ida para a cama, que geralmente acontece sob protestos. Cada família adaptará a sugestão da forma mais conveniente, mas geralmente funciona deixando a criança folhear uns poucos livros por alguns minutos, sozinha ou na companhia de irmãos, o que ajuda a criar o bom hábito da concentração, assim como o da independência. Então, passado algum tempo, o adulto (geralmente a mãe ou o pai, que a esta altura podem querer estar fazendo isto pessoalmente) lê a estória que a criança escolher. Mais adiante, a criança alfabetizada pode começar a ler para o irmão menor, estimulando a amizade ou então ler sozinha ou para os pais o livrinho que tiver escolhido. É preciso compreender, no entanto, que este hábito é saudável, desde que não seja imposto e nem rígido, podendo se modificar de acordo com o interesse da criança.
Desde os primeiros meses, é importante colocar livros, de plástico ou tecido, no meio dos brinquedos do bebê, para que comece a se familiarizar com estes. Às vezes não percebemos, mas os bebês têm uma capacidade muito grande de observação do mundo à sua volta, e provavelmente já terão visto o papai, a mamãe ou sua babá lendo livros ou folheando revistas, e nos surpreenderão sabendo manuseá-los muito cedo.
Os livros servem, num primeiro momento, para que o bebê tenha acesso a estímulos variados; adiante, vão servir para que escute o adulto contar-lhe histórias, que por mais simples que sejam, lhe ajudarão a começar a relacionar as figuras com seus nomes, ampliando seu vocabulário. Mais adiante um pouco, a criança aprende a conhecer a existência das letras. Aos poucos, ela vai se dando conta que estas se juntam formando as palavras que o adulto lê, o que já é um início do processo de alfabetização. Já alfabetizadas, o livro é fonte inesgotável de conhecimento e fantasia para a criança.
Os livros têm a função fundamental de formar o imaginário da criança, dar-lhe a oportunidade de "viajar", abre lacunas que são preenchidas por cada uma a seu jeito. Além disso, são objetos de formação para elas! Elas experenciam através do que lêem, aprendem, se formam e se transformam, podendo assim modificar o mundo também. São companheiros que a criança pode levar a qualquer lugar, indispensáveis e insubstituíveis.
É preciso, porém, ter cuidado com o tipo de material do livro que será dado à criança pequena. Existem livros apropriados para cada faixa de idade, que não oferecem riscos de machucar o bebê ou de ser estragados. As crianças até aproximadamente três anos não devem manusear livros de papel sozinhas, pois não têm ainda a coordenação motora fina necessária, e este material pode ferir seus olhos, além de rasgar com facilidade. Existem livros de tecido, de plástico para o banho e ainda livros de folhas duras e grossas, mais resistentes.
As crianças maiores já podem receber materiais mais elaborados, além de livros-brinquedo que exercitam sua criatividade. Aos poucos, elas vão começando a criar histórias, decorar pequenos textos, fingindo saber ler, até que aprendem de fato. Neste momento todo um mundo novo se abre para elas.
Não existe uma técnica certa para a leitura de livros para as crianças. O adulto apenas precisa ter disposição para dar mais esta atenção a elas. Cada um descobre a sua própria maneira de explorar melhor a hora da leitura. Aos poucos, o leitor vai perceber que também se beneficia do que vêm escutando: até os adultos retiram lições dos contos infantis. É muito importante que o adulto escolha livros que também a encantem, só assim o levará com entusiasmo para a criança.
As fábulas como "A cigarra e a formiga", " A tartaruga e a lebre", "A cegonha e a raposa" , por exemplo, são histórias antigas, que sempre trazem uma lição àqueles que as escutam. São muito importantes para a formação do caráter da criança. É fundamental que o leitor comente com a criança ao final, ajudando a firmar as lições que elas trazem. Da mesma forma, os contos clássicos como "O soldadinho de chumbo", "Chapeuzinho vermelho", "Os três porquinhos" e tantos outros precisam ser comentados, procurando sempre observar qual a compreensão da criança à história, estimulando assim seu raciocínio e capacidade de observação.
Do ponto de vista das emoções, os livros podem contar histórias que falam do dia-a-dia da criança ou de hábitos, lugares e situações, nos quais ela começa a se reconhecer pouco a pouco. Falam também de sentimentos como amor, carinho, proteção, cuidado, inveja, raiva, ciúmes, medo, entre outros, ajudando a criança a compreender melhor as coisas que sente.
Os adultos perceberão que a criança geralmente pede que lhe seja contada a mesma história muitas vezes seguidas, e que, se mudamos alguma coisa no texto, isto logo é percebido pela criança, que corrige ou se irrita. Isto acontece porque elas adoram a repetição: ela ajuda a criança a compreender melhor os sentimentos que aquela história despertou nela. Por exemplo, em "João e Maria", a criança é levada a lembrar do medo de ser abandonada pelos pais, que todas sentem, e que lhes causa grande ansiedade. Através da repetição do conto, aquelas emoções vão sendo experimentadas, melhor compreendidas e elaboradas através do final feliz.
Existem livros que ajudam os adultos a esclarecer as dúvidas das crianças com mais facilidade, falando sobre situações novas como nascimento de irmãos, perda de dentes, entrada na escola, dúvidas a respeito de educação sexual e até mesmo sobre situações difíceis como hospitalizações e morte. As crianças costumam se identificar com os personagens principais e sentem-se aliviadas com os finais felizes e em perceber que não são as únicas a enfrentar situações mais complicadas.
Muito importante ainda é estimular a criança a criar suas próprias histórias, usando a imaginação. Ela só conseguirá fazê-lo após ter aprendido o bom hábito de ouvir as histórias contadas por um adulto.
Logo compreende a estrutura da narrativa: como inicia, se desenrola e termina uma história, e então passa a conseguir dar seu próprio conteúdo. Desta forma, falará de seus sentimentos e das coisas que são importantes para ela naquele momento, dando pistas do que lhe vai na mente.
Finalmente, um bom hábito a ser adaptado à rotina da criança pode ser a "hora do conto", geralmente útil quando chega a hora de ir para a cama. Serve para acalmar os ânimos, abaixar as energias e incentivar a ida para a cama, que geralmente acontece sob protestos. Cada família adaptará a sugestão da forma mais conveniente, mas geralmente funciona deixando a criança folhear uns poucos livros por alguns minutos, sozinha ou na companhia de irmãos, o que ajuda a criar o bom hábito da concentração, assim como o da independência. Então, passado algum tempo, o adulto (geralmente a mãe ou o pai, que a esta altura podem querer estar fazendo isto pessoalmente) lê a estória que a criança escolher. Mais adiante, a criança alfabetizada pode começar a ler para o irmão menor, estimulando a amizade ou então ler sozinha ou para os pais o livrinho que tiver escolhido. É preciso compreender, no entanto, que este hábito é saudável, desde que não seja imposto e nem rígido, podendo se modificar de acordo com o interesse da criança.
O QUE SERÁ O AMANHÃ?
Por Cássia D´Aquino
De assalto a cigana tomou minha mão em Granada e começou a declarar meu futuro. Fosse pelo inusitado ou por serem notícias de meu agrado, deixei que as boas novas corressem. Um raro momento, “pero que las hay” em minha biografia. Atirem a primeira pedra. A moça, ladina, percebendo que atraía minha atenção e farejando um par de euros, dobro a aposta. Para tornar meu destino verossímil, deu de instilar-me alguma preocupação com o porvir: “Receberás de su mamá um telegrama com uma má noticia”. Aquilo me pegou de jeito. “Telegrama?” – insisti. “Si. Enbreve”. Pois foi o que bastou para dar cabo de minha fé tão novinha. Olhei firme para ela e, em português e sem pressa, devolvi: “Aperta o F5, cigana. Minha mãe usa o msn”.
Se estamos num mundo em que até tecnologia de predição envelhece, é preciso cuidar de atualizar a maneira como educamos nossos filhos para a vida adulta. A idéia de que para garantir o reino da estabilidade financeira basta assegurar o estudo em bons colégios, e, na seqüência, em excelentes universidades, pode ter servido, com muita sorte, à educação que recebemos de nossos pais. Pessoalmente, até disso duvido.
As condições do mercado de trabalho que nossos filhos conhecerão exigirão outros roteiros. Afinal, se a medicina, nos dias de melhor humor, assegura que nossos filhotes viverão até os 120 anos; os estudiosos da economia não têm sido alvissareiros. As notícias que chegam por esses últimos dão conta da crescente redução no número de vagas em quase todos os setores. Ou seja, mais gente, disputando um número cada vez menor de empregos. Nossos filhos terão esse problema a resolver pelo meio do caminho.
Resolução de problemas é, aliás, o nome do jogo. Torná-los capazes de assumirem tarefas profissionais em qualquer parte do mundo, tornando-os adaptáveis às mudanças nas carreiras e condições de trabalho locais, exigirá mais que o conhecimento de três ou quatro idiomas – requisito, já hoje, considerando fundamental em várias áreas.
Ensinar as crianças a resolver problemas implica, antes de mais nada, em estimulá-las a encontrar soluções para seus dilemas, não importando se corriqueiros. Tal é o caso das bolinhas que vão parar embaixo do sofá. No script tradicional, ao ver-se sem o brinquedo, a criança aciona esticada de braço resolve o problema. Quer dizer, resolve o problema de fazer a criança parar de pedir que peguem a bola. Mas não resolve o problema de ensiná-la a tornar-se um adulto capaz de equacionar dificuldades.
Muito mais produtivo para o futuro da cria é devolver-lhe a solução do impasse. “A bolinha caiu? E como é que você pode resolver isso?”. Dar tempo para que ela possa imaginar saídas para a situação – não importa quão estapafúrdias possam parecer (puxar com a vassoura? Levantar o sofá? Apelar para os Cavaleiros do Zodíaco?), é uma etapa importante nesse processo de aprendizagem. Ajudá-la, num segundo momento, a avaliar as melhores opções para, por fim, testá-las, é a melhor ajuda que se pode dar num episódio desse tipo.
Está posto que esse mesmo processo de resolução de problemas vale para cadernos esquecidos na escola em véspera de prova ou para os pára-lamas do seu carro, displicentemente amassados pelo sangue do seu sangue. Mas é talvez no que diz respeito ás falências de mesadas que a aplicação desse princípio assume as melhores cores.
Não raro os pais cometem o erro de atrelar o pagamento da mesada ao cumprimento de tarefas domésticas. Com isso conseguem apenas criar confusão no ambiente familiar. Melhor separar o joio e o trigo dessa história. As tarefas que os pais julguem ser de obrigação dos filhos devem ser cumpridas. E ponto. Não importa que isso aconteça com base na persuasão (“cada um de nós deve colaborar para a organização da casa, meu anjo”) ou no principio pouco simpático, mas perfeitamente legítimo, do “vai fazer porque eu estou mandando!”. O que não se admite, em hipótese alguma, é pagar as crias para que arrumem o quarto ou lavem a louça.
Voltando às mesadas, convém saber que falir de vez em quando nessa fase é, em certo sentido, desejável. Afinal, antes falir aos 11 com pouca grana que aos 45 com quantias significativamente maiores. Assim, seja por insolvência, ou pelo não menos raro desejo de algum consumo maior que os limites da grana que recebem, volta e meia os herdeiros se vêem confrontados com a necessidade de resolver algum problema de fluxo de caixa.
Para prevenir essas ocasiões, e ajudar os filhos e encontrar solução para o dilema financeiro que atravessam, minha sugestão é que os pais mantenham às vistas dos pretensos candidatos a empréstimos redentores uma tabela de serviços que possibilitem alavancar a grana extra. Exemplos: limpar a piscina; dar banho no cachorro; lavar o carro; podar as plantas; ser manicure ou massagista.
O que importa é que sejam serviços que os pais, em candições habituais, se veriam na contingência de contratar alguém de fora da família para executar. Mantendo essa tabela com preços compatíveis com a capacidade de realização e experiência dos interessados, é possível ensinar aos herdeiros que confiamos em sua capacidade de encontrar saídas para seus impasses. E que, no que diz respeito ao dinheiro, trabalho não é nunca o problema. Aliás, é quase sempre a única solução.
*Cássia D´Aquino é especialista em educação financeira e membro da Internatinal Association for Citizenship, Social and Economics (IACSEE).
FONTE: Portal EXAME
Por Cássia D´Aquino
De assalto a cigana tomou minha mão em Granada e começou a declarar meu futuro. Fosse pelo inusitado ou por serem notícias de meu agrado, deixei que as boas novas corressem. Um raro momento, “pero que las hay” em minha biografia. Atirem a primeira pedra. A moça, ladina, percebendo que atraía minha atenção e farejando um par de euros, dobro a aposta. Para tornar meu destino verossímil, deu de instilar-me alguma preocupação com o porvir: “Receberás de su mamá um telegrama com uma má noticia”. Aquilo me pegou de jeito. “Telegrama?” – insisti. “Si. Enbreve”. Pois foi o que bastou para dar cabo de minha fé tão novinha. Olhei firme para ela e, em português e sem pressa, devolvi: “Aperta o F5, cigana. Minha mãe usa o msn”.
Se estamos num mundo em que até tecnologia de predição envelhece, é preciso cuidar de atualizar a maneira como educamos nossos filhos para a vida adulta. A idéia de que para garantir o reino da estabilidade financeira basta assegurar o estudo em bons colégios, e, na seqüência, em excelentes universidades, pode ter servido, com muita sorte, à educação que recebemos de nossos pais. Pessoalmente, até disso duvido.
As condições do mercado de trabalho que nossos filhos conhecerão exigirão outros roteiros. Afinal, se a medicina, nos dias de melhor humor, assegura que nossos filhotes viverão até os 120 anos; os estudiosos da economia não têm sido alvissareiros. As notícias que chegam por esses últimos dão conta da crescente redução no número de vagas em quase todos os setores. Ou seja, mais gente, disputando um número cada vez menor de empregos. Nossos filhos terão esse problema a resolver pelo meio do caminho.
Resolução de problemas é, aliás, o nome do jogo. Torná-los capazes de assumirem tarefas profissionais em qualquer parte do mundo, tornando-os adaptáveis às mudanças nas carreiras e condições de trabalho locais, exigirá mais que o conhecimento de três ou quatro idiomas – requisito, já hoje, considerando fundamental em várias áreas.
Ensinar as crianças a resolver problemas implica, antes de mais nada, em estimulá-las a encontrar soluções para seus dilemas, não importando se corriqueiros. Tal é o caso das bolinhas que vão parar embaixo do sofá. No script tradicional, ao ver-se sem o brinquedo, a criança aciona esticada de braço resolve o problema. Quer dizer, resolve o problema de fazer a criança parar de pedir que peguem a bola. Mas não resolve o problema de ensiná-la a tornar-se um adulto capaz de equacionar dificuldades.
Muito mais produtivo para o futuro da cria é devolver-lhe a solução do impasse. “A bolinha caiu? E como é que você pode resolver isso?”. Dar tempo para que ela possa imaginar saídas para a situação – não importa quão estapafúrdias possam parecer (puxar com a vassoura? Levantar o sofá? Apelar para os Cavaleiros do Zodíaco?), é uma etapa importante nesse processo de aprendizagem. Ajudá-la, num segundo momento, a avaliar as melhores opções para, por fim, testá-las, é a melhor ajuda que se pode dar num episódio desse tipo.
Está posto que esse mesmo processo de resolução de problemas vale para cadernos esquecidos na escola em véspera de prova ou para os pára-lamas do seu carro, displicentemente amassados pelo sangue do seu sangue. Mas é talvez no que diz respeito ás falências de mesadas que a aplicação desse princípio assume as melhores cores.
Não raro os pais cometem o erro de atrelar o pagamento da mesada ao cumprimento de tarefas domésticas. Com isso conseguem apenas criar confusão no ambiente familiar. Melhor separar o joio e o trigo dessa história. As tarefas que os pais julguem ser de obrigação dos filhos devem ser cumpridas. E ponto. Não importa que isso aconteça com base na persuasão (“cada um de nós deve colaborar para a organização da casa, meu anjo”) ou no principio pouco simpático, mas perfeitamente legítimo, do “vai fazer porque eu estou mandando!”. O que não se admite, em hipótese alguma, é pagar as crias para que arrumem o quarto ou lavem a louça.
Voltando às mesadas, convém saber que falir de vez em quando nessa fase é, em certo sentido, desejável. Afinal, antes falir aos 11 com pouca grana que aos 45 com quantias significativamente maiores. Assim, seja por insolvência, ou pelo não menos raro desejo de algum consumo maior que os limites da grana que recebem, volta e meia os herdeiros se vêem confrontados com a necessidade de resolver algum problema de fluxo de caixa.
Para prevenir essas ocasiões, e ajudar os filhos e encontrar solução para o dilema financeiro que atravessam, minha sugestão é que os pais mantenham às vistas dos pretensos candidatos a empréstimos redentores uma tabela de serviços que possibilitem alavancar a grana extra. Exemplos: limpar a piscina; dar banho no cachorro; lavar o carro; podar as plantas; ser manicure ou massagista.
O que importa é que sejam serviços que os pais, em candições habituais, se veriam na contingência de contratar alguém de fora da família para executar. Mantendo essa tabela com preços compatíveis com a capacidade de realização e experiência dos interessados, é possível ensinar aos herdeiros que confiamos em sua capacidade de encontrar saídas para seus impasses. E que, no que diz respeito ao dinheiro, trabalho não é nunca o problema. Aliás, é quase sempre a única solução.
*Cássia D´Aquino é especialista em educação financeira e membro da Internatinal Association for Citizenship, Social and Economics (IACSEE).
FONTE: Portal EXAME
Prevenção Primária em Saúde Mental do Bebê
Ao longo do primeiro ano de vida do bebê já se inicia a construção do conhecimento junto a outros aspectos, como o desenvolvimento maturacional, a afetividade, a independência e assim por diante.
Há muito tempo, nos países europeus, a estimulação psico-motora é aplicada em crianças até os dois primeiros anos de vida para prevenir futuros problemas físicos e de aprendizagem.
Infelizmente, aqui no Brasil, é cultura o comportamento dos pais em procurarem o auxílio especializado para o acompanhamento global de seu filho, somente quando determinadas dificuldades já se encontram instaladas, ou somatizadas (expressando-se melhor em linguagem médica).
Para que o sujeito se estruture de maneira saudável, física e psicologicamente, em sua primeira fase de vida, se faz necessário que seja supervisionado por um especialista em Saúde Mental, antes da fase escolar, mesmo que esteja passando pelo atendimento pediátrico periodicamente. Isso porque véris casos são encontrados nas escolas infantis, nas quais não há supervisão psicológica - mas que têm acompanhamento médico particular, e que poderiam ter sido antecipados na gravidade, caso houvesse essa supervisão. Prevenir, em atenção primária, é enfocar um problema antes que ele se instale, então, há muitos anos, temos orientado as mães para srem agentes provedores e promotores dessa estimulação em seu bebê, além de controlarmos o seu desenvolvimento mensalmente, quanto ao aspecto adptativo, cognitivo e afetivo. E, recentemente, caso haja interesse, fazemos o registro desse acomapnhamento mensal por vídeo-gravação e/ou fotografia. Os resultados têm sido positivos, pois a mãe fica mais segura pelo bom desenvolvimento de seu bebê segundo os aspectos mencionados, além de participar de terapias em família, ou orientações junto ao esposo, caso a urgência tenha sido constatada.
Quando nasce um bebê, nasce uma mãe e com o brincar essa mulher pode, certamente, desenvolver-se na maternagem, suposto que a sincronicidade entre ambos será estabelecida através de uma linguagem que não será expressa só por gestos e nem por sons, mas pela energia que une tudo no universo - o afeto.(GIMENES;FMABC, S. André, mar. 2003)
Artigo escrito por Beatriz Picolo Gimenes Ms
Matemática, Psicóloga, Psicopegagoga, Psicomotricista; Mestrado em Psicologia da Saúde (UMESP); Terapia FAmiliar em Hospital (UNIFESP), Professora universitária, Conselheira da ABBri.
Ao longo do primeiro ano de vida do bebê já se inicia a construção do conhecimento junto a outros aspectos, como o desenvolvimento maturacional, a afetividade, a independência e assim por diante.
Há muito tempo, nos países europeus, a estimulação psico-motora é aplicada em crianças até os dois primeiros anos de vida para prevenir futuros problemas físicos e de aprendizagem.
Infelizmente, aqui no Brasil, é cultura o comportamento dos pais em procurarem o auxílio especializado para o acompanhamento global de seu filho, somente quando determinadas dificuldades já se encontram instaladas, ou somatizadas (expressando-se melhor em linguagem médica).
Para que o sujeito se estruture de maneira saudável, física e psicologicamente, em sua primeira fase de vida, se faz necessário que seja supervisionado por um especialista em Saúde Mental, antes da fase escolar, mesmo que esteja passando pelo atendimento pediátrico periodicamente. Isso porque véris casos são encontrados nas escolas infantis, nas quais não há supervisão psicológica - mas que têm acompanhamento médico particular, e que poderiam ter sido antecipados na gravidade, caso houvesse essa supervisão. Prevenir, em atenção primária, é enfocar um problema antes que ele se instale, então, há muitos anos, temos orientado as mães para srem agentes provedores e promotores dessa estimulação em seu bebê, além de controlarmos o seu desenvolvimento mensalmente, quanto ao aspecto adptativo, cognitivo e afetivo. E, recentemente, caso haja interesse, fazemos o registro desse acomapnhamento mensal por vídeo-gravação e/ou fotografia. Os resultados têm sido positivos, pois a mãe fica mais segura pelo bom desenvolvimento de seu bebê segundo os aspectos mencionados, além de participar de terapias em família, ou orientações junto ao esposo, caso a urgência tenha sido constatada.
Quando nasce um bebê, nasce uma mãe e com o brincar essa mulher pode, certamente, desenvolver-se na maternagem, suposto que a sincronicidade entre ambos será estabelecida através de uma linguagem que não será expressa só por gestos e nem por sons, mas pela energia que une tudo no universo - o afeto.(GIMENES;FMABC, S. André, mar. 2003)
Artigo escrito por Beatriz Picolo Gimenes Ms
Matemática, Psicóloga, Psicopegagoga, Psicomotricista; Mestrado em Psicologia da Saúde (UMESP); Terapia FAmiliar em Hospital (UNIFESP), Professora universitária, Conselheira da ABBri.
DIA DO TRABALHO, COMEMORAÇÃO OU PROTESTO?
Prof. Ms. Márcio Michalczuk Marcelino
Em 1886, na cidade estadunidense de Chicago, milhares de trabalhadores saíram às ruas no dia 1º de maio para reivindicar melhores condições de trabalho, entre elas a redução da jornada diária de 13 para 8 horas. Toda essa manifestação, que durou alguns dias, foi movida a confrontos com a polícia que ceifou vidas de alguns trabalhadores.
Passado alguns poucos anos, em 20 de junho de 1889, em Paris, a central sindical chamada Segunda Internacional, instituiu o mesmo dia das manifestações como data máxima dos trabalhadores organizados, para assim, lutar pelas 8 horas de trabalho diário. Em 23 de abril de 1919, o senado francês ratificou a jornada de trabalho de 8 horas e proclamou o dia 1° de maio como feriado nacional, que foi seguido por alguns países, entre eles o Brasil, que em 1925, no governo de Rodrigues Alves, teve a data consolidada.
Atualmente, muitos países mundo afora comemoram a data de 1º de maio como o Dia do Trabalho, e sempre vemos pela TV comemorações e protestos. Estes últimos, invariavelmente com a participação dos “trabalhadores” policiais... O que se comemora? O que se protesta?
No Brasil temos, atualmente, comemorações gigantescas movidas por centrais sindicais que chegam a levar para as ruas mais de um milhão de pessoas, só na cidade de São Paulo. Há realização de sorteios de casas e carros, shows musicais com artistas populares, além de discursos oportunos de políticos que exaltam a data com feitos heróicos de seus governos, dizendo-se os responsáveis pelos aumentos do número de postos de trabalho.
Todas essas comemorações chegam a custar, segundo dados , três milhões e 800 mil reais, ou seja, comemoramos ou protestamos?
Claro que o povo sofrido e esquálido merece um momento de lazer. E como promover uma concentração tão grande de pessoas se não oferecer tais “brindes”? Seriam todos “Pedros Pedreiros” ? Ou esperamos o que?
Esperamos muito mais! E não basta o trabalho. A constituição brasileira garante o trabalho digno, vejamos o que diz a Dra. Maria Amélia Bracks Duarte, autoridade no assunto e procuradora do trabalho em Minas Gerais:
“o empregador deve oferecer ao empregado um ambiente sadio e equilibrado, sem riscos à sua saúde, e que o empregado encontre, no trabalho, a concretização de suas inspirações à melhoria de sua condição social; a jornada de trabalho não deve ser de mais de 8 horas diárias; o salário deverá ser compatível com a atividade exercida, garantindo-se um mínimo legal. Esses são os princípios protetores do trabalho humano, visando construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional, erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos e sem qualquer forma de discriminação. Sem a observância dessas regras, não se pode falar em cidadania, autoestima, valor pessoal, respeito e muito menos de trabalho. Homens e mulheres não se bastam com cestas básicas recebidas como esmola do governo. Querem trabalhar, produzir riquezas para o seu país, ser exemplo para a família e para a comunidade. O brasileiro precisa de oportunidade para demonstrar a sua capacidade de trabalho, sua força e criatividade. Um país só é desenvolvido quando se tem educação, saúde e trabalho.”
Ainda em tempo, vale a canção (Pedro Pedreiro) de Chico Buarque, citada acima:
Pedro pedreiro quer voltar atrás
Quer ser pedreiro pobre e nada mais
Sem ficar esperando, esperando, esperando
Esperando o sol
Esperando o trem
Esperando o aumento para o mês que vem
Esperando um filho pra esperar também,
Esperando a festa
Esperando a sorte
Esperando a morte
Esperando o norte
Esperando o dia de esperar ninguém
Esperando enfim nada mais além
Da esperança aflita, bendita, infinita
Do apito do trem
Pedro pedreiro, pedreiro esperando
Pedro pedreiro, pedreiro esperando
Pedro pedreiro, pedreiro esperando o trem.
Estadao.com.br, 24/04/2009,16h07min., Economia.
Canção Pedro Pedreiro de Chico Buarque
Prof. Ms. Márcio Michalczuk Marcelino
Em 1886, na cidade estadunidense de Chicago, milhares de trabalhadores saíram às ruas no dia 1º de maio para reivindicar melhores condições de trabalho, entre elas a redução da jornada diária de 13 para 8 horas. Toda essa manifestação, que durou alguns dias, foi movida a confrontos com a polícia que ceifou vidas de alguns trabalhadores.
Passado alguns poucos anos, em 20 de junho de 1889, em Paris, a central sindical chamada Segunda Internacional, instituiu o mesmo dia das manifestações como data máxima dos trabalhadores organizados, para assim, lutar pelas 8 horas de trabalho diário. Em 23 de abril de 1919, o senado francês ratificou a jornada de trabalho de 8 horas e proclamou o dia 1° de maio como feriado nacional, que foi seguido por alguns países, entre eles o Brasil, que em 1925, no governo de Rodrigues Alves, teve a data consolidada.
Atualmente, muitos países mundo afora comemoram a data de 1º de maio como o Dia do Trabalho, e sempre vemos pela TV comemorações e protestos. Estes últimos, invariavelmente com a participação dos “trabalhadores” policiais... O que se comemora? O que se protesta?
No Brasil temos, atualmente, comemorações gigantescas movidas por centrais sindicais que chegam a levar para as ruas mais de um milhão de pessoas, só na cidade de São Paulo. Há realização de sorteios de casas e carros, shows musicais com artistas populares, além de discursos oportunos de políticos que exaltam a data com feitos heróicos de seus governos, dizendo-se os responsáveis pelos aumentos do número de postos de trabalho.
Todas essas comemorações chegam a custar, segundo dados , três milhões e 800 mil reais, ou seja, comemoramos ou protestamos?
Claro que o povo sofrido e esquálido merece um momento de lazer. E como promover uma concentração tão grande de pessoas se não oferecer tais “brindes”? Seriam todos “Pedros Pedreiros” ? Ou esperamos o que?
Esperamos muito mais! E não basta o trabalho. A constituição brasileira garante o trabalho digno, vejamos o que diz a Dra. Maria Amélia Bracks Duarte, autoridade no assunto e procuradora do trabalho em Minas Gerais:
“o empregador deve oferecer ao empregado um ambiente sadio e equilibrado, sem riscos à sua saúde, e que o empregado encontre, no trabalho, a concretização de suas inspirações à melhoria de sua condição social; a jornada de trabalho não deve ser de mais de 8 horas diárias; o salário deverá ser compatível com a atividade exercida, garantindo-se um mínimo legal. Esses são os princípios protetores do trabalho humano, visando construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional, erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos e sem qualquer forma de discriminação. Sem a observância dessas regras, não se pode falar em cidadania, autoestima, valor pessoal, respeito e muito menos de trabalho. Homens e mulheres não se bastam com cestas básicas recebidas como esmola do governo. Querem trabalhar, produzir riquezas para o seu país, ser exemplo para a família e para a comunidade. O brasileiro precisa de oportunidade para demonstrar a sua capacidade de trabalho, sua força e criatividade. Um país só é desenvolvido quando se tem educação, saúde e trabalho.”
Ainda em tempo, vale a canção (Pedro Pedreiro) de Chico Buarque, citada acima:
Pedro pedreiro quer voltar atrás
Quer ser pedreiro pobre e nada mais
Sem ficar esperando, esperando, esperando
Esperando o sol
Esperando o trem
Esperando o aumento para o mês que vem
Esperando um filho pra esperar também,
Esperando a festa
Esperando a sorte
Esperando a morte
Esperando o norte
Esperando o dia de esperar ninguém
Esperando enfim nada mais além
Da esperança aflita, bendita, infinita
Do apito do trem
Pedro pedreiro, pedreiro esperando
Pedro pedreiro, pedreiro esperando
Pedro pedreiro, pedreiro esperando o trem.
Estadao.com.br, 24/04/2009,16h07min., Economia.
Canção Pedro Pedreiro de Chico Buarque
TODOS OS DIAS DE TODAS AS MÃES
Por Lêda Cruz
Nem o romantismo de ontem, nem o realismo de amanhã,
traduzem a mãe de hoje.
Trabalha dentro....trabalha fora....
Dedica-se muito àqueles que os olhares buscam o modelo.
A responsabilidade do exemplo lhe impõe a correção,
mas não garante o prometido futuro feliz e cheio de realizações.
A mãe mulher, a mãe profissional, a mãe companheira, a mãe irmã...
Os conflitos dos papéis sociais são vividos com tamanha intensidade, que a identidade, ofuscada pelos sonhos pessoais, se perde na rotina dos dias.
Todos os dias....todas as mães .... Todos os dias de todas as mães!
Mas nada, nada mesmo, substitui o sentimento de chegar em casa, depois de um dia desses de mãe, e ser recebida por aqueles que lhe definem esse inexplicável poder de tanto amar.
Por Lêda Cruz
Nem o romantismo de ontem, nem o realismo de amanhã,
traduzem a mãe de hoje.
Trabalha dentro....trabalha fora....
Dedica-se muito àqueles que os olhares buscam o modelo.
A responsabilidade do exemplo lhe impõe a correção,
mas não garante o prometido futuro feliz e cheio de realizações.
A mãe mulher, a mãe profissional, a mãe companheira, a mãe irmã...
Os conflitos dos papéis sociais são vividos com tamanha intensidade, que a identidade, ofuscada pelos sonhos pessoais, se perde na rotina dos dias.
Todos os dias....todas as mães .... Todos os dias de todas as mães!
Mas nada, nada mesmo, substitui o sentimento de chegar em casa, depois de um dia desses de mãe, e ser recebida por aqueles que lhe definem esse inexplicável poder de tanto amar.
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